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Mas eu sou como uma oliveira que floresce na casa de Deus; confio no amor de
Deus para todo o sempre. Salmo 52:8

domingo, 21 de junho de 2015

Um pequenino milagre em meus braços

Hoje depois de muito tempo assisti novamente ao documentário que foi produzido pela Estação Luz Filmes sobre a história de nossa filha Vitória. Só aí me dei conta de que há exatos 5 anos, em 21/06/2010, ela recebia alta hospitalar para ir para casa!

Lembro que foi uma sensação única de alegria e gratidão pegar aquele pequenino milagre em meus braços e levá-lo para casa. 

Não sei por que fui escolhida para essa missão. Mas recebi a responsabilidade e o privilégio de amar e zelar pela vida de uma criança única, especial e muito frágil. Lutei ao seu lado durante quase 3 anos com todas as minhas forças e além. Pude experimentar a presença de Jesus ao meu lado todos os dias. Não teria conseguido sem Sua presença a me lembrar o amor incondicional de Deus por mim e por minha filha, e Seu Espírito a nos sustentar e conduzir.

Foram anos preciosos em que senti de forma muito intensa o quanto a vida é algo sagrado, valioso e passageiro. Sua presença nos enchia de amor, de paz, de coragem e fé. A mim me parece que às vezes Deus escolhe os mais pequeninos e frágeis para se manifestar entre os homens e para serem mensageiros de seu amor. Talvez porque nós vivemos aqui tão cheios de nós mesmos que nos custa silenciar para ouvir a Deus.

Quanto sentido de vida ganhei com sua vida tão breve. 

Em julho fará 3 anos que ela recebeu sua "alta" dessa vida limitada e foi para sua verdadeira casa. Vem chegando aquela tristezinha misturada com a saudade de ver quanto tempo que já não a temos mais aqui. Mas é bom pensar que, assim como nós a levamos para nossa casa nessa vida passageira e imperfeita, naquela manhã fria de 21 de junho, com tanto orgulho, com tanto amor, felizes por ela não precisar mais ficar no hospital... Jesus também deve tê-la recebido com todo amor e muito, muito orgulho, quando ela nos deixou naquela noite gelada de julho de 2012, liberta de todas as dores e desafios desta vida... "Missão cumprida, minha princesinha guerreira, seja bem-vinda! Como te amamos e estamos felizes que você esteja aqui" 

Se eu, tão imperfeita e limitada que sou, a amo tanto, imagina Deus! Pensar no profundo amor que Deus tem por ela acalma e aquece meu coração de mãe - que convive com a ausência de uma filha que ainda é e sempre será muito amada. 

Compartilho o documentário novamente, para quem ainda não assistiu ou para quem quiser relembrar conosco.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

5 anos e a alegria da sua lembrança

Cinco anos. Meia década se passou.

Cinco anos atrás eu estava grávida de 38 semanas. Olhava para aquela barriga enorme que escondia meus pés, onde carregava dentro de mim uma vida. Uma pequena criança envolvida em amor e ternura extremos. Eu não fazia ideia do que aconteceria. Só sabia que tinha valido a pena chegar até o final daquela gestação. 

Neste horário eu ainda não conseguira dormir. Sentia ansiedade, agitação, euforia e medo. Em poucas horas minha filha nasceria. A médica marcara a cesárea algumas horas antes e precisava chegar ao hospital às 5 da manhã. Deitada sobre o lado esquerdo do meu corpo, com uma almofada para ajudar a amortecer o peso da barriga, eu me encolhia e abraçava a mim mesma com as mãos sobre o ventre. Respirava fundo e tentava relaxar. A mente voava em pensamentos de alta frequência, muitas vozes tentavam enumerar todas as possibilidades para o futuro mas eu respirava fundo, relaxava e as silenciava. 


Eu te amo, bebê. Eu te amo. Obrigada. Nunca vou te esquecer.

Ela nasceria viva? Choraria, respiraria, viria para os meus braços? Como seria sua aparência? Seríamos bem tratadas no hospital ou hostilizadas? Seria melhor que ela sobrevivesse? Respiro e penso que não importa o que acontecer, tudo vai ficar bem. Inspiro e expiro lentamente e me sinto mais calma. O que importava era o que eu carregava dentro do meu coração. Amor. Se o coração se desesperava, pensava neste amor, pensava neste Deus que eu tinha experimentado e sentido ao longo da gestação, que me acolheu e sustentou. E o coração se acalmava. Tudo vai ficar bem.

Eu queria um milagre. Eu clamara por um milagre. Eu não queria estar vivendo aquela história. Queria viver uma outra história. Queria um bebê perfeito, saudável, sem problema algum. O bebê dos meus sonhos, idealizado, planejado, esperado. Mas ele fora roubado. Meu bebê era malformado e incompatível com a vida. Tinha dificuldade de imaginá-lo, de enxergá-lo como uma pessoa. Mas ao longo da gestação, enquanto esperava pelo que não tinha mais esperança, aprendi a amar. Percebi que precisava amar aquele bebê, era minha única chance. Nossa única chance. Minha única escolha. Meu único caminho. Aceitar. Amar. Quanta ternura encontrei nesse caminho que parecia ser só de duros e dolorosos espinhos.

Percebi que precisava deixar de lado o bebê idealizado e sonhado, parar de chorar por ele e me concentrar em amar e celebrar aquele bebê real, precioso, amado e único que abrigava junto a mim. Ou corria o risco de amar alguém que nem existia e perder a oportunidade de amar quem estaria ali junto de mim por tão pouco tempo.

Mantinha os olhos fechados, mas não sentia sono. Fazia calor, mas era uma noite fresca. Em uma mochila já colocara minhas roupas e produtos de higiene. Numa bolsa que comprara junto com as coisas do enxoval, as roupinhas da minha filha, 6 conjuntinhos de menina. A noite passou enquanto eu cochilei superficialmente por umas 2 horas. Me sentia eufórica. Todos me achariam louca, mas eu estava feliz apesar do medo. Pus uma calça jeans larguinha de gestante e uma bata branca, penteei os cabelos compridos. Tinha 27 anos e estava me tornando mãe. Uma menina. Minha filha nasceria. Tinha valido a pena viver todas estes meses junto com ela. 

Quando ela nasceu, tive mais certeza ainda do quão importante fora aquele tempo para nós. Aquela paz que senti no peito, o que era aquilo? Momentos de presença divina.

Seu choro ecoou pela sala e ficou gravado para sempre em nossa memória apesar de não haver nenhuma gravação física. Ela nasceu envolvida em fragilidade e realizou tantas coisas, tocou tantas vidas, mudou tantas histórias, nos transformou.

Enquanto eu aguardava na recuperação, de olhos fechados enquanto as lágrimas escorriam pelo canto dos olhos, não sabia o que aconteceria, por quanto tempo ela viveria. Só pensava que tinha valido a pena ter chegado até ali. Ter vivido aquela breve história de vida carregando dentro de mim uma pequena e preciosa vida durante alguns meses.

Jamais imaginaria que tantas coisas incríveis aconteceriam nos 2 anos e meio depois daquele 13 de janeiro de 2010. Como foram anos intensos, profundos, de grandes desafios e de grandes alegrias. Tive mais momentos sorrindo e vivendo horas de extremo amor e carinho de que de lágrimas. Foram poucas as ocasiões em que chorei na sua presença. Junto dela eu sentia paz, força, coragem, amor. E todas estes sentimentos me faziam bem, me curavam. Me faziam me sentir mais feliz, mesmo nas horas difíceis. Apesar de tudo. Essa certeza de que Deus estava ali conosco e que tudo estava valendo a pena. Fui eu mesma que vivi tudo isso?

Como mudei e fui transformada por aquela menininha delicada e frágil. Ao amá-la e aceitá-la, aprendi a amar e aceitar a mim mesma. Ao ser compassiva e solidária com suas imperfeições, aprendi a compreender e respeitar a mim mesma com todas as minhas imperfeições e limitações. Ao lutar e acreditar na superação dela, passei a acreditar mais em mim mesma e nos meus sonhos. Ao me sentir feliz pelo simples fato de ela estar viva, aprendi a estar feliz pelo simples fato de eu mesma estar viva. Celebrando sua vida passei a celebrar a vida como um todo, como uma dádiva divina imensurável. Apesar de tudo.




Ela viveu 2 anos e meio conosco após nascer e agora há praticamente 2 anos e meio que ela morreu. Não parece que faz tanto tempo. Parece que o tempo que ela estava conosco foi muito, muito mais longo do que o tempo da sua ausência. O tempo corria em outra frequência.

Ela se foi, mas ficou em tudo que nos ensinou. Não tenho mais a alegria de ver sua superação dia a dia aqui ao meu lado. Mas tenho a alegria de ter sua lembrança guardada no coração. De termos superado juntas tantas limitações. Não somente dela, mas minhas também. E certamente também do papai que tanto a amou e ainda ama.




Não sei por que tudo isso aconteceu comigo. Não tenho todas as respostas e nem pretendo tê-las. Só sei que eu a amei e o amor fez tudo valer a pena. 

Hoje não é um dia para chorar e pensar que é aniversário de uma filha que já morreu. É dia de celebrar a vida de uma filha que só nos deixou bênçãos, maturidade e amor. De pensar no dia em que ela nasceu, em que nossas vidas foram abençoadas pela sua vida.

Cinco anos de nossa amada e eterna Vitória de Cristo. Quanta saudade, pequenina, quanta saudade! Parabéns! Obrigada por tudo! Te amamos!!!

Mamãe, papai e Benjamin


terça-feira, 29 de julho de 2014

Dois anos de saudade


Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade


Queridos amigos...

Cá estou eu novamente a escrever aqui no blog da nossa princesinha depois de tanto tempo! Dessa vez vou tentar ser breve - já comecei tantas e tantas postagens que nunca termino, pois o tempo aqui tem sido sempre contadinho! e assim o blog tem ficado tanto tempo sem notícias. 

Este mês, no dia 17, completaram-se dois anos de saudade de nossa amada filha. Há dois anos que ela simplesmente bateu suas asas e voou para o céu. Assim, de repente, de um dia para o outro, após uma despedida rápida porém intensa.

Comecei a escrever um relato - mais um - com mais detalhes sobre o dia da sua partida. Ainda não pude concluir - como as conclusões são às vezes difíceis! - mas relembrando pude chorar, me emocionar, sentir novamente a dor da despedida e da falta que essa filha amada e preciosa nos deixou. O tempo às vezes é injusto: a gente vai esquecendo um pouco a dor da perda, como uma cicatriz que vai se apagando, se amenizando, mas isso tem um preço: a gente também acaba perdendo certos detalhes da memória. Às vezes, vivendo certas coisas com Benjamin, fico tentando lembrar como era a rotina com minha princesinha, como era para fazê-la dormir, como era o banho, e para minha surpresa vejo que algumas coisas vão ficando meio apagadas com essa distância que o tempo traz. E é tão bom lembrar como era pentear seus cabelos perfumados depois do banho, abraçá-la bem forte e enchê-la de beijos antes de dormir. Ver seu rostinho de satisfação quando eu lhe alimentava, como tomava com gosto as vitaminas de frutas na mamadeira, até dava uns gemidinhos de alegria, como gostava! Mas aí vem a dor da saudade e a gente fica nesse vai e vem de sentimentos.

Pude enxergar a misericórdia imensa de Deus mais uma vez com a presença de Benjamin em nossas vidas, que tem nos trazido muita alegria e consolo. Ano passado, no dia 17 de julho, estávamos fazendo o 2º ultrassom para acompanhar seu desenvolvimento, com apenas 8 semanas de gestação. Esse ano, 17 de julho foi um dia ensolarado e agradável, pude passear com Benjamin e levá-lo pela primeira vez no parquinho do nosso condomínio!



Nosso amada menino tem crescido sendo muito abençoado por nosso Deus! É um menino forte, muito sadio, muito esperto e atento a tudo, risonho e sensível, um grande presente de nosso Pai para seguirmos em frente com nossas vidas com a motivação de amá-lo, protegê-lo, educá-lo em amor.

Foto: 5 meses!
Prometo vir aqui em breve dividir mais como tem sido estes primeiros meses com ele, são muitas alegrias, e gostaria de dividir mais dele com vocês aqui no blog... mas ao mesmo tempo em que me falta tempo, também prefiro que o blog fique mais com as lembranças de nossa gatinha - afinal a vida segue em frente e tudo passa tão rápido mas aqui será sempre um cantinho para recordar, com o meu tesouro de memórias.




Nestes 2 anos temos aprendido a viver sem uma parte tão importante de nossas vidas, sem a presença de nossa primeira filha em nossa família. Temos recebido muito consolo e bênçãos de Deus nesse tempo, mas a saudade é enorme. 

Após o nascimento do Benjamin, tantas vezes o coração aperta pensando como teria sido maravilhoso se ela tivesse se formado perfeitamente, tantas coisas lindas teríamos vivido a mais com ela, coisas lindas como as que estamos vivenciando com ele.

Mas é certo que ela nos transformou. Nos ajudou a ver a vida com outros olhos, com um pouco mais de amor, menos julgamento, mais compaixão, mais pureza... como ela era preciosa!!!

Lembro quando descobrimos o diagnóstico, quando soubemos que nosso bebê iria morrer, a cada dia que acordava aquilo tudo parecia um terrível pesadelo. Aos poucos Deus foi nos confortando, nos envolvendo com seu amor, seu cuidado, nos ajudando a perceber que tesouro mais precioso que Ele estava nos presenteando. Vivemos coisas tão lindas, era como se um pedacinho do céu estivesse conosco a cada dia da vida dela. Hoje eu lembro de tudo que vivemos e nem acredito, é como se tivesse acordado de um sonho e as lembranças que guardamos me ajudam a perceber que tudo foi maravilhosamente real.



O Marcelo também escreveu algumas palavras que compartilho com vocês aqui:




Não, não foi um sonho...foi tudo real! Eu vi com os meus olhos, eu senti com as minhas mãos.Seu olhar invadiu meu coração e sua ternura transformou o meu ser, com você presenciei diversos milagres!

Dois anos sem sua presença, como eu consegui? Somente com a misericórdia e o consolo de Deus! A saudade é enorme, mas a esperança é muito maior. Confio que o reencontro será melhor que o tempo em que estivemos juntinhos nessa terra. Minha grande amiga, minha serelepe, minha gata! Te amo tanto que me faltam palavras para expressar. Sou tão grato a Deus pela honra de ser teu pai, por ter carregado essa preciosidade em meu colo, por ergue-la em direção ao céu e declarado minha felicidade a Deus por sua existência. Louvado seja o Deus Eterno que nos dá muito mais que merecemos!

Marcelo 


Grande é o Senhor

Esse é um louvor que nos lembra muitíssimo de nossa amada Vitória. Que falou ao nosso coração desde a sua gestação até o momento da sua despedida. Hoje sempre que o ouvimos lembramos dela de forma muito intensa, lembramos de toda a sua vida, de tudo que aprendemos, e agradecemos e glorificamos a Deus por isso.






Toda vez que ouço essa canção, é como seu estivesse mais pertinho dela. Lembro daqueles seus primeiros dias de vida, em que pouco a pouco fomos nos apegando mais e mais àquela bebezinha frágil, imensamente doce, indescritivelmente pura, que nos transmitia um profunda paz. Lembro do seu cheirinho, suas mãos delicadas e finas e sua ternura em meio a todos os desafios que enfrentou durante sua vida. Lembro da lição que ela nos deixou, de que mesmo quando estamos vivendo tempos difíceis, é possível exultar e viver a mais pura paz e alegria na presença do Deus Altíssimo que nos criou e tem a nossa vida em suas mãos de amor.

Obrigada, Senhor, obrigada.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reportagem na TV Jangadeiro para o Dia das Mães

Olá queridos!

Na semana do Dia das Mães a TV Jangadeiro de Fortaleza fez uma matéria contando um pouco de nossa história com nossa amada Vitória e agora com nosso gatinho Benjamin, em uma série de reportagens em homenagem às mães.

O dia a dia com nosso amado Benjamin tem sido muito especial, feliz e também intenso como é normal com todo bebê, então ainda não tinha conseguido postar aqui no blog. (Tenho postado com um pouco mais de frequência uma coisa ou outra na nossa página no Facebook Vitória de Cristo e Amigos).

A reportagem pode ser vista nesse link: Matéria TV Jangadeiro - onde também podem ver um pouco como está nosso gatinho Ben! 

Um forte abraço a todos!!!

domingo, 11 de maio de 2014

O presente de ter sido sua mãe

Foto tirada no final da gravidez da Vitória, em dezembro de 2009 - alegria e gratidão por esta menininha que me tornou mãe!

Hoje foi um dia muito feliz, comemorando o primeiro Dia das Mães com nosso amado filho Benjamin... Que chegou em nossas vidas há tão pouco tempo já trazendo tanta alegria e vida. Que encheu nossa casa de sorrisos, como manhãs ensolaradas amanhecidas com sono, abraços e muitos carinhos.

Um dia de agradecer a Deus por este presente precioso: um filho saudável, tão lindo, doce, risonho. Um filho sonhado, esperado, desejado e profundamente amado.

Também um dia de saudade, de gratidão e aquela pontinha de melancolia, lembrando da nossa princesinha Vitória. Pelo segundo Dia das Mães ela não está mais aqui comigo... Pelo segundo ano não posso envolvê-la em meus braços, beijar seus cabelos e lhe dizer que a amo e que sempre a amarei. 

Que deixou um amor imenso no meu coração e um vazio na casa, de um espaço que sempre será dela e só dela... Com a sua doçura, pureza e delicadeza de menina especial que foi em nossas vidas.

Esta menina que me tornou mãe. Com quem descobri a maternidade. Esse amor tão profundo, forte e corajoso que a gente sente crescer dentro de si sem saber de onde, como uma enxurrada que passa arrastando tudo que vê pela frente, que nos leva a fazer o que for preciso para ver um filho bem, feliz, seguro junto de nós.

Como agradeço a essa menininha que passou em minha vida e mudou tudo. Que me transformou profundamente me tornando mãe. Que me deixou muita maturidade e abençoou intensamente a nossa família. Não sei como posso viver sem ela. Mas não sei como poderia viver sem ter sido mãe dela.

Ela não está aqui para me abraçar e presentear como os filhos fazem com suas mães... Mas ter sido sua mãe foi certamente um presente para toda a vida.

Te amo pequenina, guardo no coração um amor eterno por ti, que guardarei por toda a vida até te encontrar novamente... até te abraçar novamente como te abraço ainda em minhas lembranças. Obrigada, meu amor, obrigada. Mamãe te ama.

domingo, 27 de abril de 2014

História de vida: entrevista para Paulinas TV

Queridos amigos, essa é uma entrevista exibida no Programa Deus com a Gente da TV Aparecida/ Paulinas TV em dezembro do ano passado sobre nossa história de vida com nossa princesinha Vitória. Foi gravada quando ainda estava grávida do nosso gatinho Benjamin. Ficou muito bonito!



Todas as vezes que assisti me emocionei no final pensando no dia que seremos recebidos por nossa princesinha no céu. 


Aproveito para agradecer todos os comentários de apoio para que continue escrevendo no blog!

Na verdade o que quis dizer não é que o blog será desativado ou que nunca mais vou atualizá-lo. Mas que seguirei mantendo este ritmo de postagens como já vem sendo feito, apenas de vez em quando, focando sempre em homenagear nossa amada Vitória. Às vezes tenho vontade de escrever mais, porém o tempo está realmente escasso e sinto que não cabe mais aqui atualizações semanais como fazia quando nossa Vivi estava conosco.

Mas de tempos em tempos sempre vou passar por aqui para deixar notícias e quando possível dividir com vocês lembranças, reflexões, sentimentos, fotos, apenas num outro ritmo.

Obrigada pelo carinho de todos e palavras tão especiais, obrigada por sempre dividirem conosco o quanto Deus usou a vida da nossa princesinha para falar aos seus corações!

Aproveito ainda para convidá-los a visitar o blog do nosso grupo de apoio, o Grupo Vida Acrania e Anencefalia, com relatos de outras famílias que tiveram bebês com acrania e anencefalia. Este grupo é um projeto ao qual tenho me dedicado para ajudar outras famílias que são atingidas pelo mesmo diagnóstico que nossa Vivi. Temos o blog e a página do Facebook, por favor quem puder curtir e nos acompanhar nesse trabalho de apoio e conscientização, tudo isso é feito pensando em honrar a vida da nossa eterna e amada gatinha!

Um abraço carinhoso e fiquem com Deus!


quarta-feira, 26 de março de 2014

Esclarecimento...

Infelizmente em meio a tantos comentários carinhosos e positivos, tive o desprazer de ler hoje um comentário anônimo no blog cheio de veneno, ignorância e grosseria, de alguém me chamando de louca de pedra por ter esperado o trabalho de parto para que o Benjamin nascesse, me acusando de ter colocado a vida dele em risco, mesmo depois de já ter perdido uma filha, por ter esperado a bolsa estourar e ter dilatação!

Em momento algum coloquei a vida do meu filho em risco. Entrar em trabalho de parto e ter a bolsa rota naturalmente por algumas poucas horas não colocam a vida de um bebê saudável em risco, ao contrário, fazem muito bem para o bebê e para a mãe, por isso escolhi esperar por isso! Inclusive tive que pagar a parte pela assistência de meu médico por escolher fazer a cesariana fora de um horário agendado, mas sim no horário que nosso filho escolheu para nascer. 

Quando a mulher entra em trabalho de parto, são liberados em seu corpo hormônios que ajudam no amadurecimento do bebê, preparando-o para o nascimento, quando terá que respirar por conta própria, mamar, manter a temperatura corporal, etc. O trabalho de parto também é a forma mais segura e certa de saber que um bebê está realmente pronto para nascer. Havendo o devido acompanhamento e o bebê estando bem - que foi o nosso caso desde o início, não há porque se preocupar.

Benjamin, filho da felicidade



Porque a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos; Ele clamará a mim, e eu lhe darei resposta, e na adversidade estarei com ele; vou livrá-lo e cobri-lo de honra. Vida longa eu lhe darei, e lhe mostrarei a minha salvação. Salmos 91:11; 15-16



O Senhor te guardará de todo o mal, Ele protegerá a tua vida! Estarás  sob a proteção do Senhor, ao saíres e ao voltares, desde agora e para todo o sempre! Salmos 121:7-8







Queridos amigos,

Com muita alegria (e vários dias de atraso) compartilho com todos que nos acompanham aqui pelo blog o nascimento do nosso segundo e amado filho Benjamin.

Ele nasceu em uma ensolarada manhã de domingo, no dia 23 de fevereiro às 7h33min, pesando 3.355 kg e medindo 49 cm. É um menino muito saudável, tranquilo e feliz! Nesse seu primeiro mês de vida já pudemos curti-lo muito e nos surpreender com sua personalidade.

É tranquilo mas, como todo bebê, muito esfomeado, como se o mundo fosse acabar de uma hora para outra quando lhe surge a fome. Graças a isso já ganhou bastante peso e duas bochechas bem fofinhas. Dorme bastante, mas às vezes fica hiper estimulado e nos dá um belo trabalho para relaxar e dormir. Adora tomar banho, é super calorento e dorme quase sempre com as mãozinhas no rosto - exatamente como ficava dentro do útero.

Como ele estava em posição pélvica (sentado), após pesquisar bastante e pesar prós, contras e as principalmente nossas possibilidades (financeiras, emocionais, físicas), já no final da gestação optamos por ao menos esperar o trabalho de parto espontâneo para então realizar uma cesariana, com a intenção de respeitarmos o tempo que ele havia escolhido para nascer.  (o parto normal pélvico é possível porém realizado por pouquíssimos profissionais por ser um parto um pouco mais complexo que exige algumas manobras). 

O que aconteceu (o trabalho de parto) às 3h da manhã, quando após algumas cólicas fraquinhas durante o dia, ele começou a mexer bastante à noite até que a bolsa estourou e foi uma verdadeira aventura. Contrações fortíssimas a cada 5 minutos em plena madrugada indo para São Paulo, e todas as maternidades lotadas por conta das cesarianas agendadas devido à proximidade do feriado de Carnaval.

Acabamos sendo atendidos na maternidade Santa Joana, onde surgiria vaga em um quarto somente na manhã seguinte, mas já seríamos encaminhados para o centro cirúrgico. Todo essa maratona durou quatro horas de contrações intensas que me renderam 6 cm de dilatação, quando então nosso amado menino nasceu por uma cesariana, com 39 semanas de gestação. 





Ele nasceu de bumbum, já fazendo acrobacias, com as duas pernas para o alto estendidas até a cabeça, fazendo xixi nas enfermeiras e logo ouvimos um choro muito doce, manso e suave.

Uau! Uma nova vida! Deus está confiando a mim a responsabilidade de cuidar de um novo ser, uma nova criação, meu filho amado. Obrigada, Senhor, por esta vida!

Logo ouvimos que tudo estava bem e ele foi entregue nos braços do papai, que nos colocou face a face, eu toda envolta em panos azuis e eletrodos, de óculos e com um sorriso lardo de alegria e gratidão. Assim que tocou meu rosto e ouviu minha voz, o seu chorinho cessou e ele ficou em silêncio prestando atenção: "Bem-vindo, Benjamin, nós te amamos! Que Deus te abençoe!"

Já em silêncio, sua boquinha em contato com meu rosto começou a esboçar um beijo, e outro beijo em minha bochecha, e ficamos ali alguns instantes infinitos conversando e trocando carinhos somente com nossas faces e nossas almas. Tivemos que seguir todo o protocolo da maternidade (críticas a todos estes protocolos rendem um capítulo a parte), mas após algumas horas ele estava finalmente em meus braços, no quarto à meia luz, mamando lindamente, um menino super esperto, atento e tranquilo.



Tive uma recuperação imediata muito melhor do que na cesariana da Vitória, acredito que a oxitocina, o "hormônio do amor", liberada no trabalho de parto fez muito bem a mim e a ele, apesar da recuperação dolorida e desajeitada dessa cirurgia.

Após quatro dias viemos para casa - eu com lágrimas nos olhos com ele nos braços - agradecendo a Deus e também lembrando saudosamente da nossa menina - de tudo que vivemos com ela e também do que não pudemos viver - ou não mais poderemos. Saudades, lembranças, aprendizados, gratidão, saudade.









Tinha uma pedra no meio do caminho (ou da vesícula...)

Ainda na maternidade comecei a sentir uns desconfortos digestivos, que pensei fazerem parte do processo natural de recuperação. Mas esse desconforto, dores e gases persistiram por vários dias depois. Pensei então que fosse efeito colateral do anti-inflamatório que precisei tomar por causa da cesariana, e também o processo normal do puerpério, dos órgãos todos "voltando pro lugar". Tentava colocar a cinta pós-parto e me sentia pior. Por vezes não tinha vontade de comer, e quando comia sentia náuseas e desconforto. 

Já estava pensando que algo não ia bem, que ia precisar marcar consulta com um gastro, quando segunda-feira da semana passada, no início da noite, tive uma crise fortíssima de algo que parecia ser dor de estômago. Estava sozinha em casa com o Benjamin, ele acordado querendo colo, uma confusão. Depois fiquei com o lado direito do abdômen todo dolorido quase sem conseguir andar de dor. Marcelo chegou em casa e fomos ao Pronto Socorro, onde acabamos passando a madrugada (rende mais um capítulo a parte como tudo aconteceu). Mas para resumir descobri que estava com a vesícula inflamada devido à formação de uma pedrinha em seu interior. Problema que, descobri somente agora, é extremamente comum em mulheres após a gestação e se agrava quando ingerimos alimentos gordurosos (tanto gorduras saudáveis como não saudáveis), o que também acaba sendo mais comum no período da gestação e amamentação.

A princípio ia fazer a cirurgia de remoção da vesícula, mas justo na hora da operação caiu um temporal que acabou com a luz no hospital e o procedimento teve que ser adiado. Resultado: fiquei três dias internada recebendo antibióticos EV - e separada do nosso amado bebê - para então receber alta com um tratamento de antibióticos por via oral e uma dieta hipogordurosa (com o mínimo possível de gorduras) além de observação para ver se as dores melhoram e podemos deixar essa cirurgia para daqui a alguns meses. Ainda assim, ainda não estou 100%, mesmo com muitos cuidados na alimentação a digestão ainda não está legal e ainda sinto algumas dores leves.

Após ouvir vários comentários de pessoas que fizeram ou não esta cirurgia, concluí que é melhor orar e pedir a Deus que nos conduza para o melhor para mim e para nosso filho. Por favor, orem por nós!

Felizmente seguimos muito bem com a amamentação apesar de todos estes percalços.

Assim que as coisas se acalmarem, (se algum dia nos próximos 20 anos elas vão se acalmar kkk) tentarei parar para contar em mais detalhes como foi o nascimento dele e nossas mais recentes aventuras!

Desculpem a demora em postar notícias!
Beijos e fiquem com Deus!

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