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domingo, 21 de junho de 2015
Um pequenino milagre em meus braços
Hoje depois de muito tempo assisti novamente ao documentário que foi produzido pela Estação Luz Filmes sobre a história de nossa filha Vitória. Só aí me dei conta de que há exatos 5 anos, em 21/06/2010, ela recebia alta hospitalar para ir para casa!
Lembro que foi uma sensação única de alegria e gratidão pegar aquele pequenino milagre em meus braços e levá-lo para casa.
Não sei por que fui escolhida para essa missão. Mas recebi a responsabilidade e o privilégio de amar e zelar pela vida de uma criança única, especial e muito frágil. Lutei ao seu lado durante quase 3 anos com todas as minhas forças e além. Pude experimentar a presença de Jesus ao meu lado todos os dias. Não teria conseguido sem Sua presença a me lembrar o amor incondicional de Deus por mim e por minha filha, e Seu Espírito a nos sustentar e conduzir.
Foram anos preciosos em que senti de forma muito intensa o quanto a vida é algo sagrado, valioso e passageiro. Sua presença nos enchia de amor, de paz, de coragem e fé. A mim me parece que às vezes Deus escolhe os mais pequeninos e frágeis para se manifestar entre os homens e para serem mensageiros de seu amor. Talvez porque nós vivemos aqui tão cheios de nós mesmos que nos custa silenciar para ouvir a Deus.
Quanto sentido de vida ganhei com sua vida tão breve.
Em julho fará 3 anos que ela recebeu sua "alta" dessa vida limitada e foi para sua verdadeira casa. Vem chegando aquela tristezinha misturada com a saudade de ver quanto tempo que já não a temos mais aqui. Mas é bom pensar que, assim como nós a levamos para nossa casa nessa vida passageira e imperfeita, naquela manhã fria de 21 de junho, com tanto orgulho, com tanto amor, felizes por ela não precisar mais ficar no hospital... Jesus também deve tê-la recebido com todo amor e muito, muito orgulho, quando ela nos deixou naquela noite gelada de julho de 2012, liberta de todas as dores e desafios desta vida... "Missão cumprida, minha princesinha guerreira, seja bem-vinda! Como te amamos e estamos felizes que você esteja aqui"
Se eu, tão imperfeita e limitada que sou, a amo tanto, imagina Deus! Pensar no profundo amor que Deus tem por ela acalma e aquece meu coração de mãe - que convive com a ausência de uma filha que ainda é e sempre será muito amada.
Compartilho o documentário novamente, para quem ainda não assistiu ou para quem quiser relembrar conosco.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Quatro anos que nossa princesinha nasceu!
"Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor". Madre Teresa de Calcutá
Entendi que uma mãe um dia precisa dizer: "Vai", e se contentar com a ida do filho, que não nasceu para ela, mas para o mundo. Agora isso não é simples, é dramático. Às vezes, me parece que a função materna é uma missão impossível. Num primeiro momento, precisa estar inteiramente disponível, presente. Depois, precisa oferecer a ausência".
Betty Milan, psicanalista e autora do livro Carta ao Filho (em entrevista para a revista Pais e Filhos, jul/2013).
Hoje comemoramos o aniversário de quatro anos da nossa amada princesinha. Que saudade! Meu Deus, quanta saudade daquela menina tão linda, doce, corajosa e cheia de vida! Saudade da sua pele macia, da sua vozinha suave, do seu jeito delicado... Saudade dos cuidados que lhe ofereci durante toda a sua vida, da sua presença marcante que nos acompanhou desde sua gestação, de todas as aventuras, batalhas e vitórias que vivemos juntas. Saudade de tudo que foi vivido tão intensamente, e que agora virou a história de nossas vidas.
Sinto-me em paz. Dei o melhor de mim. Dei tudo de mim. O que tinha e o que não tinha, o possível e o impossível pelo seu bem. Eu a amei com todas as minhas forças e estive ao seu lado em todos os momentos. Não fui perfeita. Tive muitos momentos de medo, de dúvidas, me atrapalhei muitas vezes como toda mãe... Mas dei o meu melhor, sempre buscando o melhor para ela. Vivi a maternidade linda e intensamente com minha primeira filha e me realizei muito. Fui mãe com todos os meus poros. Tivemos momentos de tanta cumplicidade, de tanto amor e plenitude. Vivemos sentimentos tão bonitos e intensos como talvez poucas pessoas chegam a experimentar em décadas de relacionamento. Faria tudo de novo se fosse preciso. Cuidaria dela durante toda a minha vida se assim Deus pedisse. Mas sinto-me em paz, pois sei que foi tudo como tinha que ser. Ela viveu o seu tempo perfeito conosco, o tempo que Deus planejou, que nos concedeu, e descansou merecidamente.
Sinto sua falta, mas me alegro na certeza de que ela está bem junto de Jesus. Gostaria muito que ela estivesse conosco vivendo todas as alegrias e preparativos para a chegada de seu irmãozinho. Gostaria de tê-la ao meu lado durante esta gestação, de poder abraçá-la naqueles momentos em que toda grávida fica sensível e chora à toa... era tão bom abraçá-la, beijá-la e segurar sua mãozinha quando eu me sentia triste por qualquer motivo. Ela era uma grande amiga e companheirinha!
A vida segue... e esta semana estou aqui com os preparativos para o chá de bebê do Benjamin, e também organizando o seu enxoval e seu quartinho. Nos mudamos em setembro, e semana passada finalmente tivemos a instalação de alguns armários e montagem do quarto do nosso filho (dias bem difíceis e cansativos para essa altura da gestação, mas também de muita gratidão). O berço da Vivi ficará para ele, assim como o carrinho, cadeirinha do carro e outras coisas maiores e de cores neutras. Não foi fácil na mudança desmontar o quarto da Vitória, encaixotar seus brinquedos, desmontar seu berço e me despedir daquele quartinho que a acolheu, onde durante 2 anos eu a coloquei para dormir todas as noites... e a encontrei todas as manhãs até seu último dia de vida aqui conosco.
Mas também tem sido uma alegria especial agora começar a montar o quarto do Benjamin, pensar na decoração para receber nosso amado menino. Ontem voltamos à casa da minha sogra (onde moramos nestes últimos anos) para buscar algumas coisas, e ao mexer em uma caixa encontrei guardadas as coisas de decoração que usamos nas festinhas dos seus dois aniversários, para ver o que poderia aproveitar no chá de bebê. Quanta coisa! Fiquei feliz ao ver como celebramos com tanta alegria e carinho cada um de seus aniversários quando ela estava aqui conosco. Mesmo em meio a muitas dificuldades, jamais deixamos de celebrar a vida.
Agora vamos celebrar a vida do Benjamin, a sua chegada, com o mesmo amor e alegria com que sempre fizemos tudo para a Vitória. Como aprendemos com ela sobre o valor de cada momento. Tudo é diferente, é outro filho, outra história, outro momento, novos sentimentos... mas o tempo todo nos lembramos da nossa gatinha, pensamos nela... fora a pergunta que ouvimos em todos os lugares: "é o primeiro bebê?" Não, não é! Tivemos uma filha linda que viveu conosco por 2 anos e meio... é uma longa e linda história, e este é nosso segundo filho. Estamos muito felizes!
Pouca gente entende... muitos sentem pena, outros nos acham meio loucos... mas temos muito orgulho de falar da nossa princesinha amada que nos fez tão bem e marcou nossas vidas para sempre.
Ontem também fomos ao cemitério e levamos flores para enfeitar seu túmulo. O jardim estava cheio de folhas secas, limpamos tudo que pudemos. Marcelo me ajudou a plantar as flores na terra para durarem mais, pois já estou com uma barriga enorme de 34 semanas! Sinto um misto de saudade e alegria ao olhar a sua fotinho em sua lápide, ver aqueles olhinhos cheios de vida e sapecas... a sua imagem está lá sempre a sorrir para nós...
Sinto orgulho de ter sido sua mãe, de tê-la amado, de ter respeitado seu tempo e de tê-la deixado livre para partir para o seu voo de liberdade.
Parabéns pequenina, você cresceu, você voou, você é livre! Nós te amamos muito, e sempre, sempre te amaremos.
sábado, 21 de setembro de 2013
Nosso segundo presente de Deus!
"Eu, o Senhor, sou o seu vigia, rego-a constantemente e a protejo dia e noite para impedir que lhe façam dano. Isaías 27:3

Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir. Salmos 139:5-6
Queridos amigos!
Quanto tempo! Bom, obviamente tenho muitas novidades para contar, mas como fiquei muito tempo sem dar notícias aqui pelo blog, vou direto ao mais importante antes de mais nada.
Nós estamos esperando nosso segundo bebê!
Após o presente maravilhoso que foi termos recebido a nossa amada Vitória em nossas vidas, cuidarmos dela, lutarmos e vivermos tantas alegrias, e após termos nos despedido dela e a devolvido para os braços de Deus, estamos tendo a alegria de sermos novamente pais de um lindo bebezinho que está com 17 semanas de gestação.
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| fotos com 9 semanas de gestação (já estou bem maior! rsrs) |
São muitas emoções diferentes nesta gestação, naturalmente ainda sentimos profundamente a falta de nossa gatinha linda, passamos pelo medo e apreensão naturais do início de uma gestação, que se acentua um pouco mais quando se passa pela perda de um filho... mas Deus tem sido bondoso e muito misericordioso conosco e tem nos abençoado imensamente.
Mais ou menos entre fevereiro e março decidimos que já era hora de tentarmos uma nova gestação. Já estava tomando suplementação de ácido fólico (vitamina importante que deve ser tomada de preferência durante três meses antes de engravidar e nos primeiros três meses de gestação, pois sabe-se que ajuda muito na prevenção de defeitos do tubo neural, como acrania, anencefalia, encefalocele e espinha bífida, reduzindo a incidência destes problemas em até 80%). Fui a minha médica e ela confirmou que deveria seguir tomando 5mg de ácido fólico por dia. Chegou a nos sugerir fazer um aconselhamento genético "para ficarmos mais tranquilos", mas depois de pensar, decidimos não fazer, pois independente de qualquer estudo genético, não deixaríamos de tentar ter mais um filho, e não deixaríamos de seguir com a gestação mesmo que ocorresse novamente uma malformação fetal. Apenas colocamos para Deus o desejo do nosso coração e pedimos que nos enviasse um novo bebê quando soubesse que estávamos prontos - pois nós nunca teríamos essa certeza.
Então descobrimos no dia 30/06, com apenas 4 semanas, bem no comecinho (pois na verdade 4 semanas de gestação equivalem a duas semanas de concepção). Com dois dias de atraso da menstruação, compramos um teste de farmácia, que fiz na manhã do dia seguinte, umas 6 horas da manhã. Logo já deu positivo, não fiquei surpresa pois já imaginava, devido ao atraso. Agradeci a Deus e voltei para a cama para tentar dormir, mas o Marcelo já estava acordado esperando para saber do resultado. Disse a ele que deu positivo e nos abraçamos... Agradecemos juntos a Deus e pedimos que abençoasse a vida do nosso bebê. Depois tentei voltar a dormir, mas logo já comecei a chorar, lembrando de como foi o positivo na gestação da Vitória, lembro que fiquei tão feliz, um pouco apreensiva, mas jamais imaginava que receberíamos um diagnóstico tão difícil.
Esperamos fazer o primeiro ultrassom para confirmar realmente a gestação. Sabia que com quatro semanas não daria para confirmar ainda, já tinha uma consulta marcada com minha médica para dali duas semanas, então esperei. Não conseguimos segurar totalmente o segredo por muito tempo e já contamos para alguns familiares e pessoas mais próximas nesse meio tempo. Mas com 7 semanas fizemos um ultrassom, e vendo que nosso pequenino estava lá crescendo e com coraçãozinho batendo, comuniquei a todos os amigos pelo Facebook, na página Vitória de Cristo e Amigos e no meu perfil.
O mais inusitado é que ao ligar para um centro de diagnóstico para agendar o primeiro ultrassom para confirmar a gestação, isso no início de julho, a primeira data que havia disponível para fazer o exame foi o dia 17/07... o dia da partida da nossa amada filha. Na hora que agendei o exame, eu nem me dei conta (estava meio tensa pensando em como fiquei traumatizada em fazer ultrassons), mas ao desligar o telefone e falar para o Marcelo, nos demos conta e comecei a chorar, sem saber exatamente o que estava sentindo. Um misto de gratidão, alegria, tristeza e saudade.
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| exame positivo com 4 semanas e ultrassom de 7 semanas |
Também não foi fácil segurar a ansiedade, a expectativa e o medo de que algum problema acontecesse. Estava tranquila mas comecei a ter uns pequenos sangramentos bem leves e espaçados, com 6 semanas. Minha médica disse que poderia ser normal devido à implantação do saco gestacional no útero, pois os ultrassons mostraram que não havia qualquer descolamento ou problema. Mas como este sangramento não cessava totalmente, a médica pediu para usar um medicamento chamado utrogestam (progesterona, hormônio que importante que ajuda na implantação da placenta) e fazer um pouco de repouso, e com o início da medicação finalmente melhorou.
No início da gestação da Vitória tive um descolamento do saco gestacional antes mesmo de descobrir que estava grávida, tive um sangramento tão grande que pensei que fosse a menstruação, mas de repente vieram uns enjoos leves e após um teste positivo fizemos uma ultra e lá estava ela, com apenas 6 semanas e já tão forte e linda lutando por sua vida. Mas depois que se descobriu que ela tinha acrania, surgiu a dúvida de que o sangramento pudesse ter ocorrido em decorrência da malformação, o que é questionável e não há como confirmar, mas enfim, por isso este sangramento nessa gestação me deixou mais nervosa ainda.
Sabíamos desde o início, antes mesmo de decidir ter mais um filho, que iríamos amá-lo e aceitá-lo da forma que viesse, como fizemos com a Vitória, quer totalmente saudável ou com alguma malformação, ele seria nosso e seria um presente de Deus. Mas é claro que sempre esperamos que tudo esteja bem, e o que mais queríamos é que este pequenino viesse com muita saúde para poder ficar conosco por muito tempo, e que não viéssemos a passar momentos tão apreensivos como passamos com nossa amada gatinha dentro de um hospital.
Tentamos não nos focar muito na gestação, na ansiedade e seguir a vida normal até o dia do exame morfológico (ultrassom realizado no final do primeiro trimestre, em que normalmente já se identifica se o bebê tem um defeito do tubo neural, como acrania e anencefalia, ou alguma síndrome, etc), e o que fizemos no dia 21 de agosto. Estava muito nervosa pois sabemos o quanto esse exame é importante, mas Deus providenciou uma médica muito atenciosa que logo já nos tranquilizou.
Ainda antes do ultrassom, o médica perguntou se era nosso primeiro bebê, e logo já tratamos de dizer que não e contamos sobre a nossa princesinha. Nessas horas o Marcelo sempre se empolga, pega o celular e começa a mostrar fotos da Vitória. A médica, além de achá-la linda, ficou muito surpresa em saber do tempo de vida dela e se interessou também quando contamos sobre o nosso grupo de apoio (Grupo Vida Acrania e Anencefalia), até anotou o nome do blog do grupo para poder indicar para mães que venham a receber os diagnósticos de acrania e anencefalia.
Então começamos o exame e as primeiras coisas que vi foi o bebê com a cabeça bem formadinha e o coração pulsando. Então pensei: já estou satisfeita, nem preciso saber de mais nada! A médica continuou nos tranquilizando, logo disse que que o bebê não tinha acrania e que iria realizar todas as outras medidas, mas que a princípio estava tudo bem, o que se confirmou a cada nova medida feita. Vimos nosso bebê se mexendo bastante, dando cambalhotas e nadando, muito serelepe, e foi um refrigério para nosso coração vê-lo tão bem, apesar de tão pequenino, cerca de 66 mm. A própria médica estava muito feliz, nos descontraiu, mostrava como o bebê era bonitinho, brincava, e ao final nos parabenizou. (totalmente diferente do morfológico que fizemos com a Vivi, que foi demorado, tenso, a médica ficou em silêncio a maior parte do tempo e e ao final nos deu a triste notícia).
Desta vez, ela explicou que estava tudo realmente bem, todas as medidas muito boas e em poucos minutos recebi o laudo em minhas mãos na sala de espera;
Desta vez, ela explicou que estava tudo realmente bem, todas as medidas muito boas e em poucos minutos recebi o laudo em minhas mãos na sala de espera;
Logo já abri e li a Análise da Anatomia Fetal:
A análise do crânio fetal mostrou-se normal.
O esboço da face fetal foi visibilizado sem alterações.
Estruturas intracranianas normais.
etc. etc. etc. e a palavra "normal" repetida diversas vezes.
Me emocionei tanto, comecei a chorar, umas lagriminhas escorrendo por baixo dos óculos e manchando a maquiagem. As lágrimas foram ficando maiores e maiores e não conseguia controlá-las. Fui rapidamente para o toalete, sentei, abaixei a cabeça entre as mãos e chorei, chorei, chorei, chorei muito, até soluçar, ficar sem ar e assoar o nariz diversas vezes.
Eu lia e relia o laudo e olhava as fotos do bebê e chorava, então tive que parar de olhar senão não ia parar de chorar.
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| Nosso segundo presente de Deus! |
Não sei dizer exatamente o que senti, porque acho que não há uma única emoção que possa descrever... eu pensava no quanto foi duro fazer este exame com a Vitória, no quanto doeu profundamente em nossos corações saber que seu crânio não havia se formado. No quanto nós sonhamos e pedimos tanto a Deus para poder receber um laudo assim para ela, um exame que nos mostrasse que tudo estava bem, que tudo não havia passado de um engano, que o problema havia se corrigido e ela estava bem. E no quanto lutamos por ela apesar de tudo, indo contra tudo que ouvíamos! Mas não podemos fugir aos propósitos de Deus a aos seus planos que, mesmo em meio à dor, hoje sabemos, são perfeitos.
E agora, com este pequenino, nossa oração foi ouvida e tudo se formou perfeitamente. Pensei no quão precioso foi receber esse laudo, ouvir e ler estas palavras. No quanto muitas mulheres fazem esse exame e recebem um laudo assim sem conseguir imaginar a dimensão do quanto isso é incrível e maravilhoso.
Tinha consulta agendada com minha obstetra na sequência do ultrassom, então fomos para o consultório, o Marcelo estava junto comigo, também ficou super feliz e aliviado depois do exame e encantado com nosso pequeno. Mas como era horário comercial ele estava tendo que resolver algumas coisas do trabalho por telefone enquanto esperávamos. E novamente fui abrir o exame para ver e comecei a chorar, fui novamente ao toalete e chorei mais... limpei toda a maquiagem, lavei o rosto e finalmente me recompus para a consulta.
Chegamos em casa e assistimos ao DVD com as imagens do ultrassom, aí consegui não mais chorar e sim sorrir, e consegui olhar melhor para o bebê, vê-lo muito cheio de vida, demos muitas risadas porque ele não parava de se mexer, se virava de costas, se virava de lado, abria as perninhas, cruzava, levava as mãozinhas à boca e parecia muito à vontade nadando na sua pequena casinha cheia de água, tão acolhedora.
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| com 13 semanas, ainda "magricelinho" e já tão lindo! |
Tenho sentido os sintomas da gestação um pouco mais fortes, mais desconfortos (talvez uns 5 anos a mais na idade já façam diferença também), mais sono, já engordei um pouquinho mais e a barriga já está bem grande. Também já peguei um resfriado forte no início (como peguei na gestação da Vivi), e tenho sentido umas dores na parte de trás do quadril se faço muitos movimentos como me agachar ou ficar muito tempo sentada.
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| 10 semanas de gestação |
Com 16 semanas também comecei a sentir umas tremidinhas e pequenos movimentos do bebê - bem mais cedo do que com a Vitória, o que também ouvi que é normal na segunda gestação.
E o palpite (ainda a confirmar na próxima ultra que será semana que vem), é que a Vitória terá um irmãozinho, um menino!
Bom, queridos, é isso, essas são as novidades sobre nossa família e o motivo pelo qual fiquei mais ausente nas últimas semanas... preguiça e sono da gestação! rsrs
E mais uma ótima notícia é que o DVD do documentário "Eu, Vitória" já ficou pronto, e o lançamento ocorrerá em Fortaleza no dia 02/10. Mas vou falar tudo direitinho no próximo post na semana que vem, para as informações não se perderem nesse texto tão longo.
Muito obrigada pelo carinho de todos, pelo comentários que volta e meia sempre aparecem cheios de palavras especiais, mesmo sem novas atualizações aqui no blog.
Beijos e fiquem com Deus!
domingo, 12 de maio de 2013
Parabéns para mães muito especiais!
Envio um abraço carinhoso e apertado a todas as mamães, em especial a minha mãe que sempre se fez tão presente, que me apoiou e serviu tantas vezes quando nossa princesinha estava conosco. Que foi uma avó maravilhosa que se orgulha até hoje da netinha especial que tem. E que continua me apoiando e cuidando, ao ponto de me enviar essa semana uma caixa com vários presentes pelo dia das mães e cartõezinhos em nome da Vitória muito especiais. Muito obrigada, mãe!
Também envio o mesmo abraço carinhoso à minha sogra, que tanto me apoiou e se fez presente, e agradeço a ela igualmente pelo amor e orgulho com que recebeu a nossa amada Vitória coma sua neta, sendo uma avó maravilhosa e muito especial.
Muito obrigada. Amo vocês!!!
Feliz Dia das Mães!!!
Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: "Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele". Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou. Marcos 10:14-16
Ter uma criança em sua vida para amar, zelar e abençoar é um grande presente de Deus! Eu tive esse privilégio e sou imensamente grata por ter me tornado mãe de uma menininha tão especial, da nossa amada Vitória de Cristo.
| camiseta que compramos para a Vitória quando ela tinha +- 1 ano e meio |
O presente que sua vida foi para nós ultrapassa os limites físicos, de tempo, de idade, e até da vida.
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| ultrassom da Vitória, 2 semanas antes do diagnóstico... |
Então hoje, ao mesmo tempo em que sinto profundamente falta da sua presença, choro e sinto muita saudade, também agradeço a Deus porque sei que Ele está cuidando dela para mim. Creio que ela ainda vive, está bem, não sente dor, e meu coração de mãe descansa por isso. Descansa em saber que essa separação é temporária, é necessária, que foi o melhor para ela... e que não será assim para sempre.
| esse pingente minha mãe me deu de presente em novembro do ano passado... encontramos em uma loja e achamos muito especial |
O versículo que citei no início desse post me inspirou hoje ao pensar em como as crianças são uma grande bênção. E claro, não é porque crescem que deixa de ser assim. Ter filhos é um milagre, um presente valioso, que vêm para aprender, serem educados e ensinados, mas também vêm para nos ensinar algo.
Que possamos aprender com o coração das crianças, com sua pureza e sinceridade, e que nunca esqueçamos de dizer a elas o quanto são especiais e valiosas simplesmente por existirem, de dizer a elas palavras de bênção, de coragem e alegria. Dizer a elas que podem superar todas as suas fraquezas e desafios, e que temos certeza que serão vitoriosas e felizes. Elas precisam muito disso! Elas precisam muito de uma mãe que lhes diga isso, e guardarão essas palavras para sempre em seus corações durante toda a vida.
Parabéns e muito obrigada a todas as mamães que leem o blog, que nos visitam, que nos seguem, muitíssimo obrigada também pelos comentários tão carinhosos que deixam para mim, para minha filha e minha família. Cada dia que abro o blog e leio uma nova mensagem, meu coração se alegra muito! Vocês são muito especiais!
Queridos, também queria avisar todos os amigos aqui do blog que criei uma página par ao nosso Blog no Facebook, chamada Vitória de Cristo e Amigos. Assim, mesmo quando não conseguir escrever com mais calma aqui no blog, podemos manter contato pelo Facebook. Vocês são todos muito bem-vindos!
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Há seis meses uma pombinha branca voou com Jesus!
Hoje completam-se seis meses desde que a nossa "pombinha branca" alçou seu voo e partiu com Jesus!
No último domingo foi o seu aniversário de 3 anos, nós levamos uma cesta linda de flores, uma borboleta brilhante e cata-ventos, e colocamos diante do seu túmulo. Também acendemos uma velinha de três anos à noite para agradecer pela sua linda vida.
É claro que ela não precisa de flores e velas (acredito que ela está em um lugar muito mais florido e iluminado do que aqui!) - mas para nós é importante celebrar em sua memória, honrar seu nome, sua história. Não esquecer o quão maravilhoso foi tê-la conosco.
Eu também fiz a seguinte reflexão:
Quando alguém faz aniversário, nós acendemos uma vela com o número dos anos de vida para celebrar. Contamos os nossos anos de vida porque sabemos que estes anos são limitados e um dia findarão. A chama lembra que ainda há vida. Hoje quando acendemos essa velinha em memória da Vitória, colocamos um porta-retrato com uma foto sua para lembrar sua vida e tirei essa fotografia. Quando minha sogra viu a imagem, comentou que no reflexo da chama não aparecia mais o número 3 da velinha, apenas a chama!
Então nesse momento que decidimos não apenas chorar, mas também celebrar e agradecer, entendemos: aqui nós contamos os anos, mas ela não precisa mais contá-los, porque na presença de Deus não há mais limitações, nem físicas, nem emocionais, espirituais... e nem de tempo! Ela é eterna junto de nosso amado Pai.
Isso trouxe alegria e paz ao meu coração. :-) Não é maravilhoso?

domingo, 13 de janeiro de 2013
Aniversário celestial - 3 anos de Vitória!
Tudo que recebemos e aprendemos com sua vida não se compara ao pouco que tivemos o privilégio de lhe oferecer: nosso amor de pai e mãe, uma família, um nome e uma memória. Que sempre honraremos em respeito e gratidão pelos grandes tesouros que recebemos com sua preciosa vida!
sábado, 29 de dezembro de 2012
Escolhi agradecer...
Que teremos que morrer um dia, é tão certo como não se pode recolher a água que se espalhou pela terra. Mas Deus não tira a vida; pelo contrário, cria meios para que o banido não permaneça afastado dele. 2 Samuel 14:14
"A vida é uma realização; e o morrer, o final dessa realização. No turbilhão em que vivemos, não conseguimos, muitas vezes, encarar a vida como uma realização, muito menos a morte. Mas é isso que ambas são', decreta Madre Tereza de Calcutá."
"Há somente duas maneiras de lidar com a morte: não encarar o fato de que somos finitos ou outorgar-lhe um significado. Tanto a vida como a morte pedem por uma atitude pessoal que lhes dê um sentido. O tempo de vida, o passado, o presente e o futuro adquirem ritmo, orientação e valor diferenciado conforme as atitudes que tomamos e as escolhas que fazemos. Não morremos de uma vez para sempre, cada instante nos faz viver e morrer. (...)
'O sentido que damos à morte é o sentido que damos à vida. E o sentido que damos à vida é o sentido que damos à morte', escreve Leonardo Boff em Ética da vida. O nosso olhar para a morte depende do olhar que temos para com a vida." Vera Cristina Weissheimer
| Vitória recém-nascida - janeiro de 2010 |
Então ele disse: "Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino". Jesus lhe respondeu: "Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso". Lucas 23:42-43
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| aniversário de 1 ano - janeiro de 2011 |
...com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. (...) desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor. apóstolo Paulo, em Filipenses 1:20-21; 23b
| Vitória em dezembro de 2011 |
Tive o imenso privilégio de passar os últimos três anos com
minha princesinha Vitória durante o Natal e o final de ano.
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| 9º mês de gestação da Vitória - dezembro de 2009 |
Primeiro ela estava na minha barriga, pequenina, mas já
serelepe e cheia de vida. Ela me trazia uma força que me encorajava diante ao
nosso futuro incerto. Talvez no próximo mês Deus a levasse assim que nascesse
em janeiro. Mas o amor tão profundo que havia surgido entre nós nos tornava
mais fortes que a dor e que as incertezas. A nossa união vinha de Deus e a
presença de Deus fazia as circunstâncias dessa vida se tornarem pequenas... entendi
melhor porque Davi dizia que Deus era a sua torre alta nos momentos de
tribulação. Quando estamos num lugar alto, a visão de algumas coisas que antes nos assustavam
mudam de proporção.
A certeza da eternidade oferecida gratuitamente em Cristo se
tornara algo real e maravilhoso quando víamos a morte diante de nós. Tudo que
eu havia estudado e crido na sua Palavra, estava prestes a se tornar real. Deus usou a minha Vitória de Cristo para me aproximar dele de uma forma nova, pura
e simples. A minha bebê me ajudou a descobrir um coração de criança, simples e
cheio de fé.
Parece que o ano realmente começou quando ela nasceu, dia
13/01/2010. E ela chegou tão suavemente, tão doce e amável. Pensamos que sua
estadia conosco seria breve, tamanha era sua fragilidade, mas não. Ela ficou conosco durante
todo aquele ano cheio de desafios.
Ela nasceu com a cabecinha toda aberta, e minha primeira reação
ao vê-la foi de que seria impossível viver naquela condição. Além de todas as
previsões médicas e alguns poucos relatos de que tinha conhecimento, sua
expectativa era de algumas horas de vida a poucos dias. Mas Deus e ela me
mostraram que aquilo que parecia impossível aos olhos humanos era possível sim
para Ele. Que nem sempre as previsões científicas se cumprem. Cada experiência é única. Não sabemos
porque tivemos esse privilégio e essa missão (e realmente não necessito de explicações). Mas
passamos cinco meses na UTI vendo milagres diários. Ela fez uma cirurgia que na
primeira semana de vida um neurocirurgião dissera que era uma possibilidade
absurda e nem mesmo registrou sua avaliação no prontuário dela - tamanho o desinteresse pelo seu caso.
No entanto, o absurdo aconteceu e ela enfrentou corajosa cada
desafio. A criança que todos diziam que não sentia nada e era só “reflexos” aprendeu a mamar, nunca aspirou leite, o
refluxo que diziam que era de origem neurológica e sempre existiria passou assim que ela chegou em casa.
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| andando de balanço - dez. 2010 |
Ah! Receber aquela bebezinha pequenina e doce em meus braços
e trazê-la para casa foi um presente inigualável e maravilhoso. Tudo foi tão
surpreendente e imprevisível que os médicos já não ousavam fazer previsões,
muito menos previsões pessimistas. Ouvimos possibilidades como fazer uma nova
cirurgia entre 5 e 8 de idade, se fosse necessário. Ela parecia tão decidida a
viver e estava tão impressionantemente estável que tínhamos que nos preparar
para tudo, para amá-la e acolhê-la durante todo o tempo que ela ficasse conosco.
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| Vitória na praia - dez. 2010 |
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| Vitória na praia - dez. 2010 |
O ano passou tranquilo e feliz, passamos um natal especial
com aquela bebê que crescia linda, que comia papinhas, chorava, tentava
engatinhar se arrastando, adorava dormir recebendo carinho e abraços. Também enfrentamos desafios, preconceitos, dificuldades, mas tudo
se tornava pequeno perto da sua presença especial. Vieram os dentinhos, que
deram bastante trabalho, ela cresceu muito, estava uma criança grande, forte,
linda.
Mas no final de 2011 ela adoeceu inesperadamente e nosso
coração ficou despedaçado ao ver a nossa menina sofrer sem saber como ajudá-la,
como protegê-la e depois de tantos meses de felicidade ressurgiu o medo de perdê-la.
De um dia para o outro ela acordou reclamando muito e ficando pálida e abatida,
corremos para o hospital e à noite ela entrou em choque e foi para a UTI em
estado gravíssimo. Todos achavam que ela não sobreviveria ou ficaria com sérias
sequelas. Mas Deus deixou-a conosco contra todas as expectativas, mais uma vez.
Fez com que ela se recuperasse e a devolveu aos meus braços. Ela foi recebida
com muita alegria, muito carinho, beijos de gratidão e alívio.
Tivemos pouco tempo para respirar aliviados, e 2012 chegou
com um novo susto, quando na véspera de Reveillon ela começou a ficar estranhamente
inquieta. Dia 1º de janeiro estávamos no hospital. Ela parecia se sentir mal,
com espasmos que ninguém sabia dizer de onde e por que vinham. Diagnosticaram
como crises convulsivas e a possibilidade de uma nova infecção foi descartada,
com base nos exames. Para no dia seguinte ela entrar em choque séptico inesperadamente,
debaixo dos olhos dos médicos da UTI. Uma evolução rápida, e inesperada que pegou
a todos de surpresa. Vivemos os dias mais difíceis de nossas vidas.
| Dezembro de 2011 - Taquara - RS |
Mas ela se
recuperou mais uma vez, respondeu rapidamente a todas as medicações que recebeu
e voltou para casa em apenas 10 dias – mais uma vez surpreendendo a todos no
hospital em ver uma menina forte e cheia de vida e de reações. Porém doeu demais
vê-la sofrer e passar por procedimentos invasivos e dolorosos, como intubação,
passagem de cateter, sedação, sondas... tudo aquilo foi retirado rapidamente,
mas guardei em meu coração o sentimento de que ela não merecia e não precisava
passar por tudo aquilo mais uma vez.
Porém a preocupação e o medo passaram a rondar nossos
corações com a possibilidade de perdê-la, de vê-la sofrer, de não conseguirmos
cuidar dela como ela necessitava. Vieram as infecções urinárias recorrentes e
ninguém sabia nos dizer com certeza o que fazer para evitá-las. Foram momentos difíceis,
confusos, apreensivos... Não havia mais certezas e a única coisa que me parecia
certa era que tinha que amá-la de todo o coração em meio às adversidades, e que
devia entregar a sua vida nas mãos de Deus o tempo todo.
Nessas horas tudo que podemos fazer é amar e lutar. Não há o
que questionar, não há tempo para lamentar porque estamos ocupados demais
amando e lutando junto com uma pequena guerreira. Corremos atrás de tudo que
era possível para tratar infecções urinárias, diferentes medicamentos,
alimentação, sucos naturais, mudanças na higiene. Mas tudo foi ineficaz. A
levamos muitas vezes ao pronto-socorro por qualquer comportamento estranho ou
irritação, por qualquer suspeita de infecção, com o temor de que uma nova sepse
acontecesse. Passamos a fazer exames todas as semanas, muitos telefonemas para
a pediatra dela para passar os resultados, idas até o seu consultório pegar
receitas de antibiótico. Mas ela sempre estava bem, apesar de tudo, e as
infecções iam embora rapidamente assim como chegavam.
| maio de 2012 |
Finalmente em junho ela foi internada para tratar uma
infecção que a deixou realmente prostrada, e um uropediatra prescreveu o uso de
sondas de alívio para esvaziar a bexiga. Ficamos muito aliviados em encontrar
uma solução que ajudaria a prevenir eficazmente as infecções.
| maio de 2012 |
Nós pedimos incessantemente a Deus que fizesse o melhor para
ela, desde o início. Eu sabia que jamais teria a capacidade de cuidar dela sem
a direção e as forças de Deus. Quando muitos dizem que nem todos têm a
estrutura emocional e para cuidar de uma criança especial, realmente acho que é
verdade. Vou mais além. Ninguém tem essa estrutura emocional e condições de
encarar os desafios de amar, criar e educar um filho, com ou sem necessidades
especiais... sem que Deus dê força e direção. E Ele a dá, eu creio, mesmo a
quem não crê nele, mesmo a quem não o busca de uma maneira convencional, creio
que a vida e a força vêm do seu amor incondicional por nós. Eu jamais teria
condição. Se pensasse em ter uma criança especial, ficaria pasma, pensaria,
isso não é para mim, não sei o que eu faria. Mas é fácil dizer isso quando não
estamos com o nosso filho no ventre ou nos braços. E as forças surgem sabe-se
lá de onde, quando deixamos de olhar para nós e olhamos para aquele pequenino
bebê que precisa de nós.
Sempre deixei a Vitória em suas mãos e Ele sempre me ajudou
a cuidar dela. E chegou o dia em que Ele veio buscá-la e pediu que
entendêssemos e confiássemos que seria o melhor para ela. Foi o que eu senti em
meu coração. Nós confiamos. Com o coração partido e em lágrimas, vivemos o
momento que pensávamos que jamais chegaria, quando nós a entregamos em suas
mãos e a deixamos ir junto com Jesus. Simplesmente aceitamos e a deixamos
partir. Confiamos que Deus estava ali respondendo nossas orações pelo seu bem,
pela sua cura, pela sua felicidade. Ele a deixou ser feliz conosco por um tempo
maravilhoso, deixou-nos conhecê-la, amá-la, zelar por sua vida, mas chegou a
hora de partir. Ou de chegar...
Quando encerramos o sepultamento de seu corpinho na terra, quando dissemos o último adeus e cobrimos seu túmulo com flores, eu
senti muita paz. Senti que finalmente tinha cumprido a minha missão, tudo que me fora
proposto. Com a graça de Deus.
Mesmo com limitações e desafios ela foi uma criança feliz e
amada. Nos meses mais difíceis, quando ela começou a adoecer, ela nos presenteou
com seus mais belos sorrisos, com seus olhares inexplicáveis de uma criança que,
aparentemente, não tinha a visão, mas parecia estar o tempo todo enxergando com
os olhos da sua alma... Uma criança que não tinha a comunicação verbal, mas que
nos falava com os seus olhos, com seu rostinho perfeito e rico em
expressões, com seu corpinho roliço e delicado cheio de gestos e palavras não
pronunciadas... Uma criança que nos consolava e fortalecia sempre que a amávamos,
que nos encorajava toda a vez que segurávamos sua mãozinha delicada e macia. Que
nos abraçava a todo o momento com seu coração pequenino e puro. Quantos abraços recebemos!
Este ano, dezembro de 2012, ela já não está mais aqui com a
gente. A sua ausência dói. Ela está sempre em nossos corações, em nossos sonhos
- e nesse sentido, um filho nunca morre, porque jamais morrerá nos pensamentos,
emoções e lembranças de seus pais. Mas ela não está aqui, não como ela esteve
nos últimos três anos.
Porém quando ela chegou em nossas vidas, nos contou um
segredo. Quando estávamos apavorados e aflitos com o diagnóstico de acrania e
com as palavras incompatível com a vida, e os conselhos alarmantes de alguns médicos,
eu também quis ouvir o que ela tinha a me dizer, com seu coração. Aprendemos
com ela o poder de agradecer. Agradecíamos diariamente pela sua vida, pelo
privilégio de sermos seus pais, sem pensar que poderíamos “perdê-la” um dia, sem
pensar que poderíamos sofrer. Mas agradecemos por todas as coisas boas que
estávamos aprendendo e vivendo com ela. Agradecemos tanto, e ao aceitá-la e recebê-la
com muito amor e gratidão, ela se tornou nossa para sempre.
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| novembro de 2012 - Canela, RS |
Por isso eu decidi continuar a agradecer. Agradecer pelos 3
anos lindos e inesquecíveis em que ela esteve aqui comigo. Por todos os
momentos felizes e belos que vivemos. Agradecer pelo privilégio de ela ter
nascido, de ela existir e ser minha filha. Agradeço a Deus pela história que
vivemos. Nem tudo foi bom. Em alguns momentos ela sofreu, e nós sofremos
juntos. Nenhum pai quer ver seu filho sofrer. Mas receio que querer proteger
seu filho de todo o sofrimento possível pode ter efeitos desastrosos. É só
olhar para o mundo e ver quantas pessoas são incapazes de lidar com frustrações
e perdas, incapazes de perdoar os outros e a si mesmas. Aprendemos muito com
estes momentos de sofrimento. Amadurecemos muito. Nos tornamos mais solidários
e compassivos diante do sofrimento dos outros. Aprendi muito mais a importância
de não julgar, de respeitar, de ouvir. De tentar me colocar no lugar do outro.
De amar. Não somos perfeitos e estamos a anos luz de distância de o sermos. Mas
estranhamente, eu me sinto mais completa e feliz, por ter vivido tudo o que
vivi.
Não vou lamentar o que não mais viveremos aqui com ela,
porque há tanto a agradecer pelo que foi vivido. E como ela sempre seguiu em
frente contra todas as adversidades, eu quero seguir em frente como ela. Ela
partiu decidida e em paz, deu-nos o tempo de entender e nos despedir, e nós a deixamos
ir. Porque a amamos de todo o nosso coração, nós pudemos deixá-la partir. E agora podemos seguir em frente, também em paz.
Ela não está aqui vivendo momentos especiais com a gente, as
festas, os passeios, as viagens... Mas eu carrego em meu coração a fé de que
ela está vivendo coisas maravilhosas com Jesus. Que no momento em que seu
coraçãozinho parou aqui nesta terra, Jesus a estava recebendo nos céus. Que ela
recebeu um forte e amoroso abraço e um grande sorriso e ouviu Jesus lhe dizer:
Bem-vinda, minha querida, como eu esperei pela sua chegada! Como eu te amo! Eu
dei a minha própria vida para você estar aqui. Como valeu a pena!
Desejo a todos os queridos amigos e leitores do nosso Blog
um feliz 2013, cheio de alegria, realizações, aprendizado, saúde e paz!
Que cada
um encontre seu caminho de felicidade e possa andar perto de Deus.
Sou imensamente grata por cada amizade, cada comentário,
cada manifestação de carinho e desejo que Deus abençoe a vida de todos os que nos lêem!
Com muito carinho,
Joana e Marcelo
Em amorosa memória da princesinha Vitória de Cristo
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| nós, novembro de 2012 - Canela, RS (e nossa menininha em nossos corações) |
* Citações bíblicas - tradução NVI : para reler os versículos de onde foram extraidos, compreendendo melhor todo o contexto, consulte a Bíblia online
Weissheimer, Vera Cristina. "Eu vi as tuas lágrimas": amparo e consolo no sofrimento, p. 102. Ed. Sinodal, 2009.
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