“Eu, Vitória”, documentário lançado recentemente na Livraria Cultura, mais que uma homenagem ao milagre da vida, é uma lição de amor para os tempos atuais.
O casal Joana e Marcelo Croxato levou adiante a gestação de sua filha com anencefalia. Nascida em 2010, a criança foi cuidada com extremado amor durante os dois anos em que viveu.
Esse casal nos ensinou que “Amar é querer um bem para o outro”, em palavras de Aristóteles; é alegrar-se com o bem do outro; é afirma-lo e procurar o melhor para o outro.
O que é o amor senão um ato da vontade! É fácil confundi-lo com o sentimento de afeto. Por isso muitas obras de amor não são realizadas, e sua compreensão é apequenada.
Com “Eu, Vitória” todos aprendemos que o valor de uma pessoa não está em suas qualidades profissionais, esportivas, artísticas, estéticas; e que para ser amada, uma pessoa não precisa nos demonstrar nada.
Infelizmente muitos julgam que apenas serão amados se demonstrarem suas qualidades. Porém, quando perdem essas qualidades pelo passar do tempo, acidente ou doença, instala-se a a tristeza e a depressão.
Vitória foi amada porque era uma pessoa, e não pela esperança de que viesse a ser um dia exitosa profissional, artista destacada. Foi amada com aquele amor que não interpõe a pessoa amada às próprias necessidades ou objetivos. Esse amor rompe os moldes utilitaristas de hoje, que confunde a pessoa com o que ela possui. O relevante não é o que me oferece o outro, mas aquilo que ele é.
A curta vida de Vitória foi um dom para todos nós. Com ela aprendemos que existe o amor-dádiva, que descobre no outro alguém a ser presenteado, servido, atendido, sem nada esperar em troca.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Uma lição de amor
Queridos amigos,
Reproduzo abaixo um artigo escrito pelo advogado e escritor Ariovaldo Esteves Roggerio, que esteve presente no lançamento do documentário "Eu, Vitória" em Fortaleza e compartilha conosco suas reflexões sobre o curta:
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Autor: Ariovaldo Esteves Roggerio é advogado e atua em mediação de conflitos familiares; criou o Site Família em Contos, dedicado à educação e ao entretenimento.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
A história de vida que deu origem a uma luta
Matéria de capa publicada no Caderno 3, caderno de cultura do jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Linda matéria escrita pela jornalista Iracema Sales, ficou muito especial pela forma como o tema foi abordado, com respeito e profundidade!
02.10.2013
IRACEMA SALES - REPÓRTER
Filme "Eu, Vitória" reconstitui os dramas e alegrias de um jovem casal pais de um bebê anencéfalo
A vida, assim como o amor, transcendem o tempo. Pelo menos essa é a sensação que se tem ao conversar com o casal paulista Marcelo e Joana Croxato, protagonistas do documentário "Eu, Vitória", cujo lançamento acontece às 20h, na Livraria Cultura. Desafiando o discurso médico, o casal preferiu ser guiado por um misto de amor e respeito ético à vida, deixando que a gravidez da primeira filha, Vitória de Cristo, mesmo diagnosticada, na 11ª semana da gravidez, com anencefalia, caracterizada pela ausência total ou parcial do encéfalo, tivesse uma gestação completa. Com duração de 20 minutos, o filme retrata com delicadeza o drama vivido pelo casal, pais de primeira viagem que enfrentaram com coragem a tarefa, aceitando o curso natural da vida.
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| Cenas do filme "Eu, Vitória", dirigido pelo cineasta cearense Glauber Filho para a Estação Luz Filmes |
A direção é do cineasta Glauber Filho e a obra será apresentada pela primeira vez em Fortaleza, após ter sido mostrada no Terceiro Festival de Cinema Transcendental, em Brasília. Ao término da exibição, o casal vai falar sobre o tema com o público presente. Mais do que relatar a experiência vivida, Joana Croxato, grávida de quatro meses do segundo filho, deseja informar sobre o tema que ainda é visto com preconceito. Vitória de Cristo nasceu em janeiro de 2010, vivendo e alegrando os pais por dois anos e meio. Os jovens não hesitam em dizer que foram os dias mais felizes que tiveram. Passado o luto, o casal realiza uma verdadeira cruzada em defesa da vida, independente de tempo.
Na memória, o amor permanece e ela será a nossa primeira filha, dizem, afirmando que "fariam tudo infinitas vezes". A criação do blog http://www.acraniaeanencefalia.com.br/ foi a maneira que o casal encontrou para compartilhar a experiência e informar sobre o tema. Aos poucos, a discussão está saindo do espaço virtual para o mundo real, mediante a realização de encontros. O importante é esclarecer que o diagnóstico de anencefalia não significa que a mãe não possa viver, de maneira digna, todas as etapas da gravidez.
No entanto, é preciso conscientização tanto por parte dos médicos quanto dos pais e da sociedade em geral. Uma idealização da Estação Luz Filmes e Movida, a produção do vídeo que, em breve, poderá ser acessado pelo You Tube, contou com a parceria da LBV Filmes, de São Paulo. Uma história emocionante que relata o cotidiano de um jovem casal que viu um sonho interrompido. O vídeo traz à tona, também, a discussão sobre o aborto de bebês anencéfalos.
Diferente
O amor de pai e mãe misturou-se ao desejo de ver o rosto da pequena Vitória de Cristo, que na 11ª semana de gestação, um exame de ultrassonografia mostrou que não havia sido localizada a calota craniana. A investigação sinalizava que Joana Croxato iria gerar um bebê com anencefalia. "Inicialmente, a gente tomou um susto", afirma com ternura, uma vez que esse tipo de malformação é incompatível com a vida. Daí, o drama que os pais passam a viver, justamente por não ser preciso saber quanto tempo de vida a criança terá. Mesmo diante dessa incerteza, o casal decidiu que iria "dar dignidade independente do tempo que viria viver fora do útero".
A jovem mãe chama a atenção para o vínculo que as mães criam com o feto, desde o momento em que a gravidez é confirmada. Além de existir sempre a dúvida de que o diagnóstico poderá mudar, tudo isso contribuiu para que a o casal fosse buscar conselhos com outros médicos. "A gestação foi muito tranquila", lembra, afirmando que conseguiu completar os nove meses, e Vitória de Cristo veio ao mundo em janeiro de 2010. "Decidimos amá-la de forma incondicional e ela transformou nossas vidas", relata com emoção Marcelo Croxato.
O casal diz que o único pensamento era o bem-estar da filha. Por isso, consultou vários médicos, sendo que dois deles indicaram que a melhor saída seria o aborto. "Foram bem parciais mesmo", recorda o jovem pai. Assim, Joana e Marcelo preferiram acatar a orientação do primeiro especialista, que concordou com a decisão do casal de seguir adiante com a gravidez. O casal questiona a perda de valores e de quanto vale uma vida. "Não importa se vai viver pouco tempo", diz Marcelo Croxato, criticando essa visão simplista em torno da vida e dos seus valores.
A coragem do jovem possibilitou que a filha vivesse dois anos e meio, proporcionando uma relação intensa com a criança, que adorava receber carinho na cabeça, conta. Com carinho, mostram o blog com fotos e depoimentos. Alguns prós, outros, contra, não importa. O que conta mesmo é a verdadeira cruzada que os pais estão fazendo no sentido de conscientizar casais que passam por problema semelhante. "Fomos acolhidos", diz Joana Croxato, afirmando que essa é uma forma de retribuir o carinho que receberam, que funcionou como um conforto.
Blog
O Grupo Vida Acrania e Anencefalia é materializado no blog que tem a finalidade de prestar apoio às mães que recebem o diagnóstico dessas malformações. "O blog foi criado logo que a Vitória nasceu", recorda a mãe, completando que a filha passou cinco meses internada, sendo submetida a uma cirurgia aos quatro meses. Depois de um ano da partida de Vitória de Cristo, que teve um sepultamento digno, e os pais puderam vivenciar todos os passos, da gestação ao luto, o casal parte para o segundo filho.
No entanto, não esquecem da primeira filha, que "era uma criança muito especial". Aos cinco meses a filha recebeu alta e foi morar com os pais, passando a ser a alegria da casa. "Passamos a acompanhar o dia a dia dela", diz a mãe. O contato com o diretor Glauber Filho foi por ocasião da votação no Congresso Nacional pela descriminalização do aborto de crianças anencefálicas. Joana Croxato deu seu depoimento e falou da história de sua primeira filha. O vídeo é uma homenagem ao milagre da vida.
Hoje, os pais dizem com satisfação, como demonstram no filme, que "foram os anos mais felizes". Conforme Marcelo Croxato, pode parecer até paradoxal, afirmando que viveria tudo outras infinitas vezes. De forma serena, o casal que passa uma ternura em cada palavra, faz da conscientização e da informação os principais ingredientes dessa luta. "As pessoas ainda enfrentam preconceito", revela Joana Croxato que defende que o assunto seja tratado de forma humanizada. Com o vídeo e o blog, o casal pretende promover a vida e informar.
Joana Croxato informa que é procurada por muitas mães que buscam informações e apoio para enfrentar o problema. "Elas chegam com medo e muitas dúvidas". A recomendação é de que as mães devem se envolver com o bebê e fazer um pequeno enxoval. O apoio médico é muito importante, completa. O vídeo não tem cunho comercial. A locação será gratuita em todas as lojas Distrivídeo.
Os interessados podem ter acesso gratuito ao DVD "Eu, Vitória" mediante contato com a produtora Estação Luz Filmes, pelo telefone (85) 3244 1094.
Mais informações
Lançamento do vídeo "Eu, Vitória", baseado na história do casal Marcelo e Joana Croxato, que após a exibição, quarta, 2, às 20h, na Livraria Cultura, Rua Dom Luís, 1010, falará sobre o tema.
Nota: o blog do Grupo Vida Acrania e Anencefalia foi criado na verdade em 2013, o blog da Nossa Amada Vitória de Cristo é que foi criado quando ela nasceu, em 2010.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Lançamento do curta "Eu, Vitória" em Fortaleza
Queridos amigos!
Finalmente o DVD do documentário "Eu, Vitória" ficou pronto e terá lançamento em Fortaleza no dia 02/10 às 20h, na Livraria Cultura, no Shopping Varanda Mall! Nós estaremos presentes e ficaremos imensamente felizes em encontrar nossos amigos de Fortaleza por lá!
Como já comentamos anteriormente aqui no blog, "Eu, Vitória" é um documentário produzido pela Estação Luz Filmes, com direção de Glauber Paiva Filho, que relata os principais momentos da história da nossa amada filha Vitória de Cristo. A ideia do curta surgiu quando os produtores da Estação Luz conheceram a história de superação da nossa princesinha durante algumas reportagens feitas sobre a vida dela, na época do julgamento do STF que legalizou o aborto em casos de anencefalia, em abril do ano passado.
O documentário "Eu, Vitória" é uma produção sem fins lucrativos, portanto não estará à venda. Será disponibilizado para locação gratuita nas lojas da rede de locadoras Distrivídeo, em Fortaleza, ainda essa semana, e em breve também estará disponível para ser assistido pelo You Tube.
Os interessados podem ainda ter acesso gratuito ao DVD entrando em contato com a Estação Luz Filmes através do telefone (85) 3244-1094.
Obs. nós já estamos em Fortaleza desde ontem, onde estaremos participando de algumas atividades de divulgação do documentário até quinta-feira.
Acompanhem as novidades sobre o lançamento pelo site da Agência da Boa Notícia.
sábado, 21 de setembro de 2013
Nosso segundo presente de Deus!
"Eu, o Senhor, sou o seu vigia, rego-a constantemente e a protejo dia e noite para impedir que lhe façam dano. Isaías 27:3

Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim. Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir. Salmos 139:5-6
Queridos amigos!
Quanto tempo! Bom, obviamente tenho muitas novidades para contar, mas como fiquei muito tempo sem dar notícias aqui pelo blog, vou direto ao mais importante antes de mais nada.
Nós estamos esperando nosso segundo bebê!
Após o presente maravilhoso que foi termos recebido a nossa amada Vitória em nossas vidas, cuidarmos dela, lutarmos e vivermos tantas alegrias, e após termos nos despedido dela e a devolvido para os braços de Deus, estamos tendo a alegria de sermos novamente pais de um lindo bebezinho que está com 17 semanas de gestação.
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| fotos com 9 semanas de gestação (já estou bem maior! rsrs) |
São muitas emoções diferentes nesta gestação, naturalmente ainda sentimos profundamente a falta de nossa gatinha linda, passamos pelo medo e apreensão naturais do início de uma gestação, que se acentua um pouco mais quando se passa pela perda de um filho... mas Deus tem sido bondoso e muito misericordioso conosco e tem nos abençoado imensamente.
Mais ou menos entre fevereiro e março decidimos que já era hora de tentarmos uma nova gestação. Já estava tomando suplementação de ácido fólico (vitamina importante que deve ser tomada de preferência durante três meses antes de engravidar e nos primeiros três meses de gestação, pois sabe-se que ajuda muito na prevenção de defeitos do tubo neural, como acrania, anencefalia, encefalocele e espinha bífida, reduzindo a incidência destes problemas em até 80%). Fui a minha médica e ela confirmou que deveria seguir tomando 5mg de ácido fólico por dia. Chegou a nos sugerir fazer um aconselhamento genético "para ficarmos mais tranquilos", mas depois de pensar, decidimos não fazer, pois independente de qualquer estudo genético, não deixaríamos de tentar ter mais um filho, e não deixaríamos de seguir com a gestação mesmo que ocorresse novamente uma malformação fetal. Apenas colocamos para Deus o desejo do nosso coração e pedimos que nos enviasse um novo bebê quando soubesse que estávamos prontos - pois nós nunca teríamos essa certeza.
Então descobrimos no dia 30/06, com apenas 4 semanas, bem no comecinho (pois na verdade 4 semanas de gestação equivalem a duas semanas de concepção). Com dois dias de atraso da menstruação, compramos um teste de farmácia, que fiz na manhã do dia seguinte, umas 6 horas da manhã. Logo já deu positivo, não fiquei surpresa pois já imaginava, devido ao atraso. Agradeci a Deus e voltei para a cama para tentar dormir, mas o Marcelo já estava acordado esperando para saber do resultado. Disse a ele que deu positivo e nos abraçamos... Agradecemos juntos a Deus e pedimos que abençoasse a vida do nosso bebê. Depois tentei voltar a dormir, mas logo já comecei a chorar, lembrando de como foi o positivo na gestação da Vitória, lembro que fiquei tão feliz, um pouco apreensiva, mas jamais imaginava que receberíamos um diagnóstico tão difícil.
Esperamos fazer o primeiro ultrassom para confirmar realmente a gestação. Sabia que com quatro semanas não daria para confirmar ainda, já tinha uma consulta marcada com minha médica para dali duas semanas, então esperei. Não conseguimos segurar totalmente o segredo por muito tempo e já contamos para alguns familiares e pessoas mais próximas nesse meio tempo. Mas com 7 semanas fizemos um ultrassom, e vendo que nosso pequenino estava lá crescendo e com coraçãozinho batendo, comuniquei a todos os amigos pelo Facebook, na página Vitória de Cristo e Amigos e no meu perfil.
O mais inusitado é que ao ligar para um centro de diagnóstico para agendar o primeiro ultrassom para confirmar a gestação, isso no início de julho, a primeira data que havia disponível para fazer o exame foi o dia 17/07... o dia da partida da nossa amada filha. Na hora que agendei o exame, eu nem me dei conta (estava meio tensa pensando em como fiquei traumatizada em fazer ultrassons), mas ao desligar o telefone e falar para o Marcelo, nos demos conta e comecei a chorar, sem saber exatamente o que estava sentindo. Um misto de gratidão, alegria, tristeza e saudade.
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| exame positivo com 4 semanas e ultrassom de 7 semanas |
Também não foi fácil segurar a ansiedade, a expectativa e o medo de que algum problema acontecesse. Estava tranquila mas comecei a ter uns pequenos sangramentos bem leves e espaçados, com 6 semanas. Minha médica disse que poderia ser normal devido à implantação do saco gestacional no útero, pois os ultrassons mostraram que não havia qualquer descolamento ou problema. Mas como este sangramento não cessava totalmente, a médica pediu para usar um medicamento chamado utrogestam (progesterona, hormônio que importante que ajuda na implantação da placenta) e fazer um pouco de repouso, e com o início da medicação finalmente melhorou.
No início da gestação da Vitória tive um descolamento do saco gestacional antes mesmo de descobrir que estava grávida, tive um sangramento tão grande que pensei que fosse a menstruação, mas de repente vieram uns enjoos leves e após um teste positivo fizemos uma ultra e lá estava ela, com apenas 6 semanas e já tão forte e linda lutando por sua vida. Mas depois que se descobriu que ela tinha acrania, surgiu a dúvida de que o sangramento pudesse ter ocorrido em decorrência da malformação, o que é questionável e não há como confirmar, mas enfim, por isso este sangramento nessa gestação me deixou mais nervosa ainda.
Sabíamos desde o início, antes mesmo de decidir ter mais um filho, que iríamos amá-lo e aceitá-lo da forma que viesse, como fizemos com a Vitória, quer totalmente saudável ou com alguma malformação, ele seria nosso e seria um presente de Deus. Mas é claro que sempre esperamos que tudo esteja bem, e o que mais queríamos é que este pequenino viesse com muita saúde para poder ficar conosco por muito tempo, e que não viéssemos a passar momentos tão apreensivos como passamos com nossa amada gatinha dentro de um hospital.
Tentamos não nos focar muito na gestação, na ansiedade e seguir a vida normal até o dia do exame morfológico (ultrassom realizado no final do primeiro trimestre, em que normalmente já se identifica se o bebê tem um defeito do tubo neural, como acrania e anencefalia, ou alguma síndrome, etc), e o que fizemos no dia 21 de agosto. Estava muito nervosa pois sabemos o quanto esse exame é importante, mas Deus providenciou uma médica muito atenciosa que logo já nos tranquilizou.
Ainda antes do ultrassom, o médica perguntou se era nosso primeiro bebê, e logo já tratamos de dizer que não e contamos sobre a nossa princesinha. Nessas horas o Marcelo sempre se empolga, pega o celular e começa a mostrar fotos da Vitória. A médica, além de achá-la linda, ficou muito surpresa em saber do tempo de vida dela e se interessou também quando contamos sobre o nosso grupo de apoio (Grupo Vida Acrania e Anencefalia), até anotou o nome do blog do grupo para poder indicar para mães que venham a receber os diagnósticos de acrania e anencefalia.
Então começamos o exame e as primeiras coisas que vi foi o bebê com a cabeça bem formadinha e o coração pulsando. Então pensei: já estou satisfeita, nem preciso saber de mais nada! A médica continuou nos tranquilizando, logo disse que que o bebê não tinha acrania e que iria realizar todas as outras medidas, mas que a princípio estava tudo bem, o que se confirmou a cada nova medida feita. Vimos nosso bebê se mexendo bastante, dando cambalhotas e nadando, muito serelepe, e foi um refrigério para nosso coração vê-lo tão bem, apesar de tão pequenino, cerca de 66 mm. A própria médica estava muito feliz, nos descontraiu, mostrava como o bebê era bonitinho, brincava, e ao final nos parabenizou. (totalmente diferente do morfológico que fizemos com a Vivi, que foi demorado, tenso, a médica ficou em silêncio a maior parte do tempo e e ao final nos deu a triste notícia).
Desta vez, ela explicou que estava tudo realmente bem, todas as medidas muito boas e em poucos minutos recebi o laudo em minhas mãos na sala de espera;
Desta vez, ela explicou que estava tudo realmente bem, todas as medidas muito boas e em poucos minutos recebi o laudo em minhas mãos na sala de espera;
Logo já abri e li a Análise da Anatomia Fetal:
A análise do crânio fetal mostrou-se normal.
O esboço da face fetal foi visibilizado sem alterações.
Estruturas intracranianas normais.
etc. etc. etc. e a palavra "normal" repetida diversas vezes.
Me emocionei tanto, comecei a chorar, umas lagriminhas escorrendo por baixo dos óculos e manchando a maquiagem. As lágrimas foram ficando maiores e maiores e não conseguia controlá-las. Fui rapidamente para o toalete, sentei, abaixei a cabeça entre as mãos e chorei, chorei, chorei, chorei muito, até soluçar, ficar sem ar e assoar o nariz diversas vezes.
Eu lia e relia o laudo e olhava as fotos do bebê e chorava, então tive que parar de olhar senão não ia parar de chorar.
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| Nosso segundo presente de Deus! |
Não sei dizer exatamente o que senti, porque acho que não há uma única emoção que possa descrever... eu pensava no quanto foi duro fazer este exame com a Vitória, no quanto doeu profundamente em nossos corações saber que seu crânio não havia se formado. No quanto nós sonhamos e pedimos tanto a Deus para poder receber um laudo assim para ela, um exame que nos mostrasse que tudo estava bem, que tudo não havia passado de um engano, que o problema havia se corrigido e ela estava bem. E no quanto lutamos por ela apesar de tudo, indo contra tudo que ouvíamos! Mas não podemos fugir aos propósitos de Deus a aos seus planos que, mesmo em meio à dor, hoje sabemos, são perfeitos.
E agora, com este pequenino, nossa oração foi ouvida e tudo se formou perfeitamente. Pensei no quão precioso foi receber esse laudo, ouvir e ler estas palavras. No quanto muitas mulheres fazem esse exame e recebem um laudo assim sem conseguir imaginar a dimensão do quanto isso é incrível e maravilhoso.
Tinha consulta agendada com minha obstetra na sequência do ultrassom, então fomos para o consultório, o Marcelo estava junto comigo, também ficou super feliz e aliviado depois do exame e encantado com nosso pequeno. Mas como era horário comercial ele estava tendo que resolver algumas coisas do trabalho por telefone enquanto esperávamos. E novamente fui abrir o exame para ver e comecei a chorar, fui novamente ao toalete e chorei mais... limpei toda a maquiagem, lavei o rosto e finalmente me recompus para a consulta.
Chegamos em casa e assistimos ao DVD com as imagens do ultrassom, aí consegui não mais chorar e sim sorrir, e consegui olhar melhor para o bebê, vê-lo muito cheio de vida, demos muitas risadas porque ele não parava de se mexer, se virava de costas, se virava de lado, abria as perninhas, cruzava, levava as mãozinhas à boca e parecia muito à vontade nadando na sua pequena casinha cheia de água, tão acolhedora.
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| com 13 semanas, ainda "magricelinho" e já tão lindo! |
Tenho sentido os sintomas da gestação um pouco mais fortes, mais desconfortos (talvez uns 5 anos a mais na idade já façam diferença também), mais sono, já engordei um pouquinho mais e a barriga já está bem grande. Também já peguei um resfriado forte no início (como peguei na gestação da Vivi), e tenho sentido umas dores na parte de trás do quadril se faço muitos movimentos como me agachar ou ficar muito tempo sentada.
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| 10 semanas de gestação |
Com 16 semanas também comecei a sentir umas tremidinhas e pequenos movimentos do bebê - bem mais cedo do que com a Vitória, o que também ouvi que é normal na segunda gestação.
E o palpite (ainda a confirmar na próxima ultra que será semana que vem), é que a Vitória terá um irmãozinho, um menino!
Bom, queridos, é isso, essas são as novidades sobre nossa família e o motivo pelo qual fiquei mais ausente nas últimas semanas... preguiça e sono da gestação! rsrs
E mais uma ótima notícia é que o DVD do documentário "Eu, Vitória" já ficou pronto, e o lançamento ocorrerá em Fortaleza no dia 02/10. Mas vou falar tudo direitinho no próximo post na semana que vem, para as informações não se perderem nesse texto tão longo.
Muito obrigada pelo carinho de todos, pelo comentários que volta e meia sempre aparecem cheios de palavras especiais, mesmo sem novas atualizações aqui no blog.
Beijos e fiquem com Deus!
terça-feira, 16 de julho de 2013
Na presença amorosa de Deus
Ora, o Senhor é o Espírito e, onde está o Espírito do Senhor, ali há liberdade. 2 Coríntios 3:17
Eu a tive em meus braços, acariciei seus cabelos, a abracei forte e senti uma sensação diferente... lembrei de tudo que vivemos desde a sua gestação... ela estava sobre meu corpo e lembrei como cresceu pequenininha em meu ventre e se tornou tão grande e forte. Como achávamos que ela era tão frágil desde o início, mas se mostrou tão valente.
Agradeci por ter lutado tanto para ficar conosco. Disse que me orgulhava muito dela, que me sentia tão feliz em ser sua mãe. Que minha vida tinha se tornado muito melhor, muito mais feliz e mais bonita com sua presença. Que ela era uma menina muito especial. Que ela havia me feito tão bem, mais bem do que eu poderia ter feito a ela. E por alguns minutos nós ficamos juntas, abraçadas, conversando com a alma, com o amor mais profundo que já senti.
Disse que dava vontade de ficar ali pra sempre, guardando ela no meu coração.
Essa foi a nossa despedida feliz, que Deus permitiu sem que a gente soubesse que estava se despedindo, sem lágrimas de tristeza, sem a angústia da separação, sem a dor física e emocional do momento da morte, sem o medo do futuro desconhecido.
Somente a gratidão, a alegria, o amor de termos vivido dias tão, mas tão felizes, de termos superado tantos desafios juntas, de termos sido uma família tão unida e forte. Uma força que foi descoberta na fraqueza, que foi concedida por Deus com tanto amor e compaixão.
Hoje ela está para sempre guardada no nosso coração, com seus cabelinhos dourados, seus olhos cheios de doçura, seu sorriso que contestou todas as dificuldades que a vida lhe apresentou. Sua pureza que mostrou que era possível ser feliz mesmo quando o mundo diz que você não tem valor. Porque para nós ela tinha valor, e tenho certeza absoluta que para Deus também, ela é uma princesinha preciosa e amada. E nunca, nunca a esquecerei, nunca deixarei de amá-la e esperar cada dia da minha vida para novamente lhe abraçar.
Hoje algumas lembranças doem, a dor da despedida, a dor de ter uma vida inteira pela frente sem minha primeira filha, sem minha menininha linda aqui comigo ao meu lado.
Mas o sentimento também é de liberdade, de alegria, porque ela saiu de casa para a eternidade. O sentimento de que eu a deixei ser livre, seguir seu caminho, viver e concluir sua história.
Afinal, isso também é papel muito importante de uma mãe, criar um filho para se tornar independente. Para nós apenas o tempo correu de um jeito diferente. Dizem que criamos os filhos não para nós, mas para o mundo. Nós criamos a nossa princesinha para o céu.
Amanhã lembramos o aniversário da sua morte nesse mundo, mas prefiro lembrar que é aniversário do seu nascimento no céu. Parabéns, pequena, mamãe e papai sempre, sempre vão te amar!
Deus está cuidando de você para nós, e não há melhor lugar para estar do que na Sua presença de amor.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Vitória no Programa Manhã da Gente (TV Arapuan - João Pessoa)
Queridos amigos,
Ontem o programa Manhã da Gente, da TV Arapuan (João Pessoa, PB), exibiu uma matéria sobre a anencefalia e aborto, com minha participação em uma pequena entrevista por telefone e vários vídeos com imagens da nossa princesinha Vitória. Ficou uma matéria muito bonita!
As apresentadoras do programa se emocionaram bastante e trataram de maneira muito respeitosa e digna a vida da criança com anencefalia. Houve ainda a participação de um médico ginecologista, de um advogado e um padre com algumas considerações sobre a gestação e o aborto. O programa ficou um pouco longo, mas vale a pena assistir. (tem algumas partes com publicidade mas o assunto é abordado desde 1min até 35 min).
Agradeço muito a toda equipe da TV Arapuan pela atenção e por decidirem abordar o tema tão importante da anencefalia com tanto respeito e cuidado!
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Blog do Grupo Vida e Página da Vivi no Facebook
Queridos amigos!
Convido vocês a visitarem três páginas muito especiais que venho mantendo paralelamente a este querido blog da Nossa Amada Vitória de Cristo:
- O blog Acrania e Anencefalia, criado a partir de nosso grupo de apoio, o Grupo Vida Acrania e Anencefalia), em que tenho recolhido relatos de mães de bebês diagnosticados com acrania e anencefalia. Este blog tem apenas 2 meses e já temos depoimentos muito especiais. Ainda está em construção e em breve terá novas páginas informativas.
- O Blog Histórias de Vida e Amor Incondicional, em que publico histórias inspiradoras que encontro sobre maternidade especial, adoção especial, mães que decidiram não abortar apesar de forte aconselhamento médico, histórias de superação e amor e ainda artigos relacionados à defesa da vida. (Esse blog existe há mais de dois anos).
- E a página Vitória de Cristo e Amigos no Facebook, um cantinho que criei para reunir todos os amigos aqui do Blog e também para divulgar as postagens que são publicadas nesses três blogs. Nem sempre consigo escrever semanalmente aqui, mas no Face coloco toda semana alguma novidade bem especial.
Agradeço muito quem puder nos seguir também nestes blogs e na página do Face, pois todo apoio e divulgação são muito valiosos. A intenção é informar e conscientizar sobre o valor da vida, ajudar quem esteja vivenciando situações semelhantes, diminuir o preconceito imenso que ainda existe em nossa sociedade quanto a crianças com acrania e anencefalia e outras deficiências neurológicas, e uma forma de honrar a vida de nossa princesinha, que nos deixou tanto amor e lindas lições de vida!
Muito obrigada,
beijos e ótimo final de semana!
Joana, Marcelo
e Vitória de Cristo (em amorosa memória)
quinta-feira, 6 de junho de 2013
“Eu, Vitória” e “Dinheiro de Sangue” mostram os dois lados da defesa da vida
O segundo dia do 3º Festival de Cinema Transcendental transformou a sala Martins Penna do Teatro Nacional, em Brasília, num verdadeiro manifesto pela vida em sua forma mais plena. A estreia nacional do curta-metragem “Eu, Vitória”, que narra a história do casal Marcelo e Joana Croxato e sua luta pela filha Vitória de Cristo, que nasceu com acrania e anencefalia e mesmo assim viveu por 2 anos e meio na companhia dos pais, tocou todos os presentes.
As dificuldades, alegrias e bênçãos foram testemunhadas pelo próprio casal, que acompanhou a exibição do curta e deu um depoimento emocionado no palco. “Isso é só uma fração do que a gente viveu e a verdade é que tudo foi maravilhoso, apesar das dificuldades. A Vitória nos mostrou que a vida vale a pena e nós a amamos porque ela era digna de ser amada, não temos nenhum mérito nisso. O ser humano é digno do amor, ainda mais quando ele é seu próprio filho. Não importa a condição que ele enfrente. A Vitória mudou completamente as nossas vidas pra melhor. Agradecemos a oportunidade de mostrar essa história aqui”, afirmou Marcelo.
Antes, o público pôde acompanhar o show de abertura da banda Takto, executando em trio interpretações de faixas clássicas do cinema e também da TV. O documentário “Dinheiro de Sangue”, do diretor David Kyle, trazido com exclusividade para o Brasil pela Estação Luz Filmes, ganhou sua estreia nacional e chamou a atenção por revelar de forma detalhista como funciona a “indústria do aborto” nos Estados Unidos, com depoimentos de especialistas, pesquisadores, advogados, meninas que sofreram na pele a própria experiência abortiva e defensores do movimento pró-vida. O documentário será lançado em todo o país em setembro, inclusive com a presença do diretor David Kyle.

Reproduzido a partir do site Cinema Transcendental
Abaixo, seguem os trailers dos documentários.
Trailer do Curta "Eu, Vitória"
Trailer do Filme Dinheiro de Sangue
Trailer do filme Bloodmoney (em inglês, porém um pouco mais completo)
Dinheiro de Sangue (Blood Money) é um documentário profundo, comovente e sincero. Narrado em grande parte a partir da voz de mulheres que decidiram realizar o aborto e também de donos e funcionários de clínicas abortistas, o documentário revela fatos e sentimentos que são normalmente escondidos em décadas de silêncio na vida destas pessoas. Entre eles, principalmente, está o grande sofrimento psicológico que pode perdurar ao longo de décadas após a realização do procedimento.
Também são abordados aspectos políticos e econômicos, revelando a partir de diversos testemunhos das pessoas diretamente envolvidas, uma indústria abortista cruel e gananciosa que conta inclusive com avançadas estratégias para "geração" e captação de novas clientes, com altas metas de venda do serviço. Para isso, fortes técnicas de persuasão são utilizadas até mesmo por meio de um serviço de "aconselhamento" por telemarketing. Um negócio altamente lucrativo no melhor estilo capitalista de se fazer negócios - onde o que menos importa são os clientes e os lucros obtidos às custas de muito sangue.
Qualquer pessoa que seja favorável ou até mesmo "neutra" quanto à legalização do aborto no Brasil deveria assistir essa produção para entender o que realmente está por trás disso - e os reais motivos pelos quais tanto se defendem os "direitos reprodutivos da mulher" ao redor do mundo.
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