Os últimos dias estão sendo cheios de novidades boas para nossa querida Vitoria.
Por um lado não é fácil ficar correndo pra cima e pra baixo procurando alguém ou algum lugar que verdadeiramente se interesse por ela e nos ajude a dar todo o acompanhamento que ela necessita. Por outro lado, é maravilhoso ver que, independente de tudo isso, ela vive, reage ao nosso amor e cuidado, e Deus a tem sustentado e abençoado.
Agora que nossa amada Vitória já tem um ano e três meses, parece que muitos progressos estão surgindo.
Às vezes tenho a sensação de que algumas coisas estão se ligando, se encaixando lá dentro de sua cabeça e ela está começando a entender mais, se comunicar mais, ter uma personalidade mais definida. Às vezes estamos conversando sobre algum assunto e, de repente, ela solta um grande suspiro como se estivesse emitindo uma opinião. Coincidência? Pode ser, mas esse suspiro vem justamente em frases que deixam a gente um tanto intrigado. Quando ela colocou o aparelho auditivo, a Cilmara, fono da Santa Casa, estava me explicando: talvez ela demore muito a reagir, ou não tenha as respostas que a gente espera, temos que observar e... de repente a Vitória solta um suspiro bem alto: Huuuum!! A Cilmara então olhou para ela e falou: o que foi, meu amor, você vai responder rápido, está bem!
Outro dia estava contando para minha sogra sobre o bebê Fábio Gabriel, que teve o mesmo diagnóstico dela e está internado, explicando que a mãe dele gostaria de levá-lo para casa, mas o pediatra acha mais seguro ele ficar no hospital, e de repente a Vitória, que estava no meu colo faz: Huuumm!!! Nós nos entreolhamos e a vovó Cida fala para ela: calma meu amor, ele não vai pra casa agora, mas quando estiver mais forte ele vai sim!
É interessante, por exemplo, que quando ela está no meu colo e alguém se aproxima e começa a falar com ela, brincar, paparicar, sem tocá-la, ela levanta a cabeça e vira o rosto em diração à pessoa e fica prestando atenção - reação que não acontece se alguém está ao meu lado conversando comigo e não com ela.
Semana passada fomos novamente à Santa Casa para ajustar o aparelho de audição. Como a Vitória se adaptou muito bem, sem reclamar ou demonstrar desconforto, e começou a apresentar algumas mudanças, a Cilmara, fonoaudióloga que a tem acompanhado, aumentou o volume do aparelho.
Um dia desses, saí com ela para passear de carrinho. No começo ela estava bem sonolenta, não estava nem aí para o passeio, mais dormindo do que acordada. Lá pelas tantas, o carrinho passou por um buraco e deu um chacoalhão. Ela levou um susto e acordou, ficou com os olhos arregalados, virando para um lado e para o outro, como se estivesse pensando, onde estou, o que aconteceu?
Outro dia, foi o contrário. Ela ficou acordada no começo do passeio, atenta, curtindo o ventinho no rosto, o sol... Demos algumas voltas até que de repente ela começou a ficar irritada, fazer careta, se jogar para trás, chorar. Estava com sono! Só acalmou um pouco quando pegou a chupeta, e então dormiu, com uma fraldinha perto do rosto. Mas ainda estava inquieta e começava a brigar com o mínimo movimento mais brusco. Voltamos para casa e então ela finalmente dormiu um soninho gostoso no seu berço, toda esparramada. 

Ontem final do dia coloquei-a novamente na minha cama para ver o que ela iria fazer. Desde o início ela fez o mesmo movimento. Caiu em cima de um bracinho, usou o outro braço para pegar impulso na cama com a mão e virar o tronco de lado, então ficou dobrando a perninha de cima para jogar o quadril para trás. Dobrou uma vez, dobrou duas e já! Ela rolou e caiu de costas! Quando a levantei para repetirmos o exercício, ela estava rindo... estava feliz! Batemos palmas! Pode parecer algo muito simples, pequeno, perto de tantas crianças que fazem isso com uma grande facilidade com poucos meses de vida. Mas sabemos o quanto isso representa, o quanto é maravilhoso para uma criança como ela que já foi tantas vezes desenganada em todos os sentidos pelos médicos.
Muitas vezes percebi em seu rosto uma sensação de frustração quando tenta engatinhar e não consegue, fica fazendo força até cansar... parece que ela sabe o que fazer, sabe que pode fazer aquele movimento, mas ainda não descobriu como fazer para coordenar o seu corpo. Muitas vezes percebi também em seu rostinho uma expressão de realização ao conseguir fazer algum movimento, levantar a cabeça, ficar de quatro, conseguir se arrastar... eu vejo nos seus olhos um grande desejo de superação, de vencer seus próprios limites que parece mais forte que as minhas próprias expectativas em relação a ela. Muitas vezes desanimo, fico sem saber exatamente o que fazer para ajudá-la, e quando eu vejo, ela que me encoraja a continuar lutando, continuar estimulando-a e acreditando nela.


Alguns dias ela está sonolenta e cansada e não quer saber de muito papo, dorme profundamente e numa paz tão grande, tão serena... sinto como se ela soubesse respeitar o seu próprio tempo, sem a ansiedade que nós normalmente temos de querer atropelar as coisas, resolver tudo para ontem. E mesmo dormindo ela continua tão linda, cheia de trejeitos, de poses... fica com as mãozinhas juntas, e adora esconder o rosto no protetor do berço. Eu vou vê-la e fico apavorada pensando: como ela consegue respirar assim? Então descubro o seu rostinho e a vejo tranquilamente respirando, como fazia desde pequenina quando ainda estava na UTI e inventava de dormir com o rosto enfiado no travesseiro.


Agradecemos muito a Deus por ter nos dado uma filha tão especial, tão valiosa, única e insubstituível, que além de tudo isso é usada por Ele para nos ensinar lições tão grandiosas sobre a vida, sobre como encará-la com tanta força e doçura.


















