Deleite-se no Senhor, e Ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue seu caminho ao Senhor, confie nele, e ele agirá. Salmo 37:4-5
Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado e lhes disse: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele”. Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou. Marcos 10:13-16
"Quando escuto o argumento horroroso e nogento de que temos que abortar só porque há a possibilidade da criança nascer com deficiência, oh, o horror toma conta do meu coração! Senhoras e senhores, há coisas que vocês só poderão aprender com os mais fracos de nós. E quando vocês os matam, são vocês que perdem. O Senhor olha por eles, mas serão vocês que sofrerão para sempre". Gianna Jessen, sobrevivente de um aborto (clique para ver o video da sua história)
Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele”. João 9:1-3
É com muita alegria e uma imensurável gratidão que hoje comemoramos nove meses da nossa amada filha Vitória. Praticamente o mesmo tempo que a tivemos em gestação, agora a temos como uma criança nascida viva neste mundo. Uma pessoa, uma cidadã, um ser humano independente. Uma bênção em nossas vidas. O presente mais precioso que poderíamos ter recebido de Deus. Algumas coisas que nos fazem rir é que a Vitória já tem CPF, é titular do seu próprio plano de saúde, já recebeu correspondência em seu nome, e já participou do censo nacional 2010.
Como todos vocês sabem, amados amigos que têm nos acompanhado, alguns desde o início, outros já durante o desenrolar dessa história, enfrentamos muitos desafios desde a gestação e após o nascimento da nossa filha. Ela foi diagnosticada com acrania no 3º mês da gravidez, foi desenganada pelos médicos e sua morte considerada inevitável após seu nascimento, uma vez que o resultado da acrania é sempre a anencefalia ao final da gestação. Até hoje existem dúvidas sobre seu diagnóstico. E considero isso muito bom. Porque nenhum diagnóstico vai decidir seu destino, sua qualidade de vida, sua realização enquanto pessoa e o quanto ela será amada por nós. Ela não se chama acrania, anencefalia, malformação, cérebro rudimentar ou qualquer outra coisa – nomes horríveis por sinal. Ela se chama Vitória de Cristo. Amada. Linda. Perfeita. Esperada. Querida. Única. Insubstituível.
Muitos disseram que não valeria a pena o sacrifício de carregá-la até o final da gravidez. Certa vez um médico me disse: “Toda gestação tem um risco, e se paga um preço, mas no final se tem o prêmio. Você vai pagar o preço, mas não vai receber o prêmio no final”. Ele estava redondamente errado, mais redondo que a minha barriga de grávida. Estava sendo aconselhada a fazer o que eles chamam de antecipação terapêutica do parto, e que mais tarde descobri ter um nome mais transparente: aborto eugênico (quando a criança tem alguma deficiência).

O consolo, o carinho e o amor das pessoas ao nosso redor têm sido uma grande fonte de alegria e encorajamento durante todo esse tempo. O querer saber como é que as coisas estão, o interessar-se, o torcer e vibrar de cada um de vocês em cada etapa superada nos fazem sorrir e festejar porque não estamos sozinhos, e porque nossa filha é amada. Cada dia que vemos um comentário novo, um seguidor novo, alguém que diz que acompanha o blog, que ora pela Vitória,que torce pela nossa pequena, sentimos muita satisfação e alegria. Se alguém diz então que ela é bonitinha, que é uma guerreira, vamos até o céu!
O que às vezes me entristece é perceber que alguém sente pena da nossa filha. Ou da nossa situação. Se alguém acha que é um fardo pesado que recebemos de Deus cuidarmos dela, ou que é uma coisa muito triste alguém ter nascido com “problema”, isso me corta o coração. Se alguém fica especulando “o que foi que eles fizeram para ela nascer assim” como se fosse um castigo, me sinto inconsolável. Porque percebo que essa pessoa não está entendendo nada do que estamos vivendo. Absolutamente nada. Eu não sabia disso até viver uma situação assim. Nunca sabia como agir quando sabia que alguém havia perdido uma pessoa querida, ou se estava passando por uma situação de doença ou algum acidente com dano irreversível. Ou quando nasceu um bebê com uma malformação. Infelizmente às vezes, com pessoas não tão próximas, cometi o erro de ficar em silêncio, ou de ter pena. Hoje posso dizer que, não importa que algum comentário tenha saído meio sem jeito - se foi bem intencionado, se foi com amor, eu nunca vou me esquecer. Lembro de cada pessoa que me ligou durante a gestação, de cada pessoa que me escreveu assim que a Vitória nasceu (mesmo que a alguns não tenha conseguido responder), e aqueles que nos visitaram, então, cada um destes amigos têm um lugar de honra no meu coração – pra sempre.
Nada será pior do que o silêncio e a pena. Infelizmente preciso dizer isso e esclarecer aqueles que porventura possam ter este sentimento – não é preciso. Se simplesmente pararem para pensar – ela poderia não estar viva, ela poderia nunca ter existido, e nunca teríamos aprendido tudo o que aprendemos desde que ela chegou em nossas vidas. Não teríamos sido agraciados com seu olhar sereno, com seu coração guerreiro que luta para viver e crescer, com seu sorriso sapeca, seus cílios compridos, seus olhos azuis, suas mãozinhas delicadas, sua pele macia e seu cherinho de nenê. Meu coração se enche de alegria ao vê-la viva. Algo que me alegrava durante a gestação era ouvir seu coração bater durante os exames. Também tive o privilégio de senti-la se mexer muito, me chutar e fazer pressão nas minhas costelas. Agora, me enche de satisfação colocar a mão perto do seu rosto e sentir o ar quente saindo do seu nariz. Ouvir sua respiração profunda enquanto dorme. Seu chorinho parece música. Seu espirro é gracioso. Por incrível que pareça, trocar sua fralda me enche de alegria, porque ela vive!
Ontem comemoramos também aqui no Brasil o dia das crianças. Aproveitando o feriadão, a vovó Alice veio nos visitar e passar a semana conosco. E ontem de presente a Vitória pôde tirar o gesso da perninha e saímos para passear – a primeira vez que fomos com ela a um restaurante! Ela almoçou antes de sair de casa, mas lá pelas tantas tomou sua mamadeira fora de casa – algo ainda pouco usual para nós. Depois, fomos passear na casa da bisa Victória, revimos vários tios e tomamos um gostoso café. Saímos de casa no horário do almoço e só voltamos lá pelas dez e meia da noite, super felizes em passar um dia tão agradável na companhia da nossa filha. Ao longo da semana, tentarei colocar mais fotos destes momentos tão especiais, e das últimas visitas tão especiais que ela recebeu.
Mas hoje gostaria de aproveitar o dia das crianças para lembrar algumas crianças que nem sempre são consideradas uma bênção. Porque toda criança é uma bênção. Incomparável. Independente das circunstâncias em que as recebamos, e de quanto tempo elas fiquem conosco. Crianças anencéfalas, crianças com acrania, paralisia cerebral, síndromes raras, ou outras deficiências, graves ou não, comuns ou não. Estas crianças são muito amadas por Deus. Sei que Deus se entristece que existam doenças e malformações, fruto da escolha da humanidade pelo pecado e pelo conhecimento do bem e do mal – e Cristo morreu por nossos pecados para que um dia tenhamos, todos que aceitarmos seu sacrifício, um corpo perfeito e eterno. Mas sei que Ele tem um propósito único e especial com a vida de cada uma destas crianças.

Recentemente criei um blog para orar por estas crianças, o Levantem-se e orem!, assim como oramos por nossa filha antes de nascer. Uma tentativa de ajudar famílias que passam por situações semelhantes às que passamos. Infelizmente esse blog tem tido pouca visitação e nenhum pedido de oração. Acredito que isso reflita em parte o quanto ainda existe desconhecimento, desinteresse e preconceito sobre estas condições especiais em nosso meio. Peço a Deus que isso mude - não que esse blog seja popular como o blog da Vitória tem sido, pois isso pouco importa. Mas para que estas crianças sejam amadas. Muito amadas. Assim como nossa filha tem sido. Porque ela foi o maior presente que recebemos de Deus.
Feliz nove meses de vida fora da barriga, querida Vitória! Feliz dia das crianças! Obrigada por alegrar nossas vidas com seu coração puro de criança, que nos aproxima tanto de Deus!