Nesta segunda, Vitória acordou bem calorenta e irritada, com febre baixa. Dei-lhe um banho e deixei-a só de body. Mas ela relaxou mesmo quando a deitei no chão da sala só de fralda, de meias e chuquinha no cabelo. Linda, doce e fofinha como sempre, mesmo bravinha. Ainda abri a janela e liguei o ventilador bem na sua frente. Tivemos temperaturas acima dos 30 ºC. Quando está calor, é delicioso vê-la com os bracinhos de fora, com roupas leves em que percebemos melhor sua "fofice". Podemos brincar mais e passear à vontade sem aquele monte de casacos e cobertas. Somente precisamos tomar o devido cuidado para que ela não fique com muito calor, o que a deixa bem indisposta e incomodada.
Os dias seguiram quentes até quarta-feira, quando amanheceu com chuva, o tempo virou e esfriou. Depois até que o sol voltou, mas o vento agora era forte e gelado. Só levei-a à fisioterapia na terça-feira. Ela estava com sono e reclamou bastante, dando uns gritinhos lindos de braveza. Dizia-nos, com seus gritinhos, e sua vozinha tão agradável, que queria ficar quietinha para dormir e não ficar balançando, rolando e se esticando. Quando acabou a sessão, a Janice a pegou no colou e perguntou: Agora você vai dormir? Ela deu uma leve piscadinha com os olhos e fechou-os. Nem precisa traduzir essa resposta!
Hoje fomos à AVAPE. Ficamos mais de 2 semanas sem levá-la até lá devido aos imprevistos de viagem, frio e febre, nesta ordem mesmo. Ela ficou mal-humorada o caminho todo. Infelizmente temos pego muitos engarrafamentos nas últimas semanas, mesmo saindo de casa no meio do dia. E quanto mais demoramos a chegar, mais aumenta o seu nervosismo. Chegando lá, na hora de fazer alongamento, ela começou a fazer biquinho de brava, e até deu umas soluçadas de choro. Na volta também veio reclamando e brigando. Chegando em casa, ela estava caindo de sono, mas não conseguia dormir. Fiz massagem na sua gengiva, e nada de acalmar. Passei camomilina, e nada de acalmar. Ela tomou um suco, e nada. Finalmente decidi lhe dar 10 gotas de alivium e fiquei com ela no meu colo segurando a chupeta na sua boca. Já era quase noite quando ela finalmente se tranquilizou e conseguiu dormir. Agora está bem aconchegada na minha cama, com um casaco de frio, dois cobertores e o aquecedor ligado.
Em contrapartida às brigas e chorinhos, ela também tem participado mais quando brincamos. Uma atividade que ela adora é rolar. Coloco-a na nossa cama e fico rolando-a, ela solta uns sorrisos, e então quando paro, ela começa a tentar rolar sozinha. Às vezes chora na hora em que cai de costas, parece ter medo de se machucar. Mas logo tenta se desvirar e continuar a brincadeira. Ela adora que eu faça um rolo duplo, ajudando-a a rolar e depois rolar de novo. Quando ela consegue fazer todo o rolo sozinha, batemos palmas, a pegamos no colo e a abraçamos. Ela faz uma carinha linda, de menina feliz-fofinha-e-amada.
E assim tem sido nossa rotina. Temperaturas malucas, cheias de altos e baixos, (que eu apelidei de montanha-russa climática), passeios de carro longos e cansativos, e nossa princesinha mostrando cada vez mais sua personalidade, brigando e revelando seu gênio forte. Dizendo com clareza o que não quer e o que não gosta, e também aprendendo a expressar o que quer, o que gosta, o que que a deixa feliz. Mesmo sem dizer uma palavra em nosso português, ela nos diz tanto, e de forma tão clara, e tão intensa, e tão bela, que me traz uma indescritível sensação de alegria e liberdade (e chego a me perguntar por que necessitamos tanto de palavras).
Alegria de vê-la se construindo e se descobrindo. Se comunicando conosco e ajudando-nos a conhecê-la. Crescendo e se tornando uma criança feliz. Alegria de saber que suas limitações não a impedem de se comunicar - apenas levam-na a se comunicar conosco por meio de uma outra linguagem. E por isso a liberdade, porque não há limitações que possam silenciar nossa felicidade.


